A Larian trocou a intermediação de viagens por software white label para grandes consolidadoras. Com R$ 200 mil mensais em um único contrato enterprise e R$ 64 milhões em GMV processado no primeiro ano, a empresa busca R$ 10 milhões para ampliar engenharia, produto e IA.
No turismo B2B, uma cotação ainda podia levar até 20 dias úteis para ser respondida. Enquanto o consumidor final se acostumou a aplicativos e respostas instantâneas, os bastidores do setor seguiam presos a sistemas antigos, processos manuais e pouca integração.
Foi nessa lacuna que Bruno Bazoti, fundador e CEO da Larian, decidiu reposicionar a empresa. A companhia hoje desenvolve infraestrutura para automatizar cotações, emissões, vendas e rotinas administrativas de grandes operações de turismo.
Da intermediação ao software
A Larian nasceu como subconsolidadora B2B. Nessa primeira fase, chegou a reunir 100 agências cadastradas e GMV de R$ 1 milhão por mês.
A virada veio já no segundo mês de operação. Uma das maiores consolidadoras de viagens do país, com faturamento anual de R$ 2,37 bilhões, enxergou potencial no software criado pela startup. A equipe então abandonou a intermediação e transformou a Larian em fornecedora de tecnologia white label.
Hoje a empresa não atua como agência nem como consolidadora e não vende para o consumidor final. Ela opera nos bastidores dos clientes.
Os números
Segundo a Larian, a implantação na grande consolidadora trouxe três resultados principais:
- Cadastro de agências: o prazo médio, incluindo as etapas jurídica e financeira, caiu de 20 dias úteis para até 30 minutos;
- Venda cruzada: com ofertas automáticas de hotéis e seguros nas emissões, a venda desses serviços cresceu 55% em quatro meses;
- Entrada de parceiros: a digitalização do cadastro e da reativação elevou em 155% a entrada de agências na plataforma.
A receita mensal com esse contrato subiu de R$ 70 mil para mais de R$ 200 mil. O modelo combina uma mensalidade fixa de SaaS com participação sobre as transações processadas, e a propriedade intelectual da plataforma continua com a Larian.
No primeiro ano do novo modelo, a tecnologia processou mais de R$ 64 milhões em GMV.
Gargalo e captação
O desempenho atraiu outras grandes consolidadoras, mas a equipe virou o limite. A Larian mantém seis desenvolvedores dedicados exclusivamente ao primeiro cliente e pausou novas implementações para preservar a estabilidade da operação.
Para destravar o crescimento, Bazoti abriu uma rodada Seed de R$ 10 milhões, que pode evoluir para uma Pre-Series A. Cerca de 60% dos recursos irão para engenharia, produto e inteligência artificial.
O plano é formar núcleos técnicos independentes por cliente e integrar mais duas grandes consolidadoras nos próximos 12 meses. Segundo o CEO, a demanda já existe e o produto foi validado em uma operação de grande porte. A estratégia é crescer sem assumir a operação comercial dos clientes, com o software como a camada que conecta processos, equipes, agências e transações.
Fonte original: Larian (comunicado à imprensa)



