O Itaú Unibanco anunciou a compra de 100% da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial fundada em 2024, em um negócio de R$ 2,925 bilhões. A operação ainda depende de aprovação do Cade e do Banco Central.
Crédito: esta reportagem tem como base matéria publicada originalmente pela Exame. Leia o texto original em exame.com.
Segundo reportagem da Exame, o Itaú Unibanco anunciou a aquisição da totalidade da NeoSpace, startup com quem já mantinha uma parceria havia quase dois anos. O valor do negócio é de R$ 2,925 bilhões.
A transação marca o segundo negócio entre o banco e os empreendedores Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs. O trio já havia fundado a Zup, empresa de tecnologia criada em Minas Gerais e adquirida pelo Itaú em operação anunciada em 2019.
Modelos próprios de IA
Fundada em 2024, a NeoSpace optou por desenvolver modelos de inteligência artificial do zero, em vez de adaptar tecnologias já existentes. A empresa chama sua abordagem de Data Foundational Models, ou modelos fundacionais de dados.
A proposta é cruzar informações estruturadas, como transações e tabelas, com dados não estruturados, como documentos, para identificar padrões que orientem decisões. No setor financeiro, a tecnologia pode ser aplicada em temas como risco de crédito, prevenção a fraudes e comportamento de clientes.
A tese dos fundadores é que os grandes modelos de linguagem (LLMs) são úteis para atendimento e comunicação, mas não necessariamente são a ferramenta mais adequada para analisar todos os dados que sustentam as decisões de uma companhia. De acordo com a Exame, a startup também chamou a atenção da Nvidia e da Oracle e tinha os Estados Unidos entre os mercados prioritários para sua expansão internacional.
Do aporte à aquisição
A relação com o banco começou por meio de uma parceria e de um investimento. No início de 2025, o Itaú investiu US$ 15 milhões na NeoSpace, em uma rodada de US$ 18 milhões, e ficou com 15% da startup.
Desde então, as duas empresas desenvolveram soluções de IA generativa para áreas como crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes.
Com a compra, o Itaú pretende ampliar sua capacidade de desenvolver modelos próprios de inteligência artificial e acelerar a evolução do ia.i, sua plataforma de IA generativa. A tecnologia da NeoSpace poderá contribuir para interações mais contextualizadas, orientações financeiras, ofertas de crédito adequadas ao perfil dos clientes e novas ferramentas de planejamento para pessoas e empresas.
Gestão própria
Apesar da aquisição, a NeoSpace deverá manter gestão própria. Segundo o comunicado da operação citado pela Exame, Bruno Pierobon continuará como CEO, a equipe será preservada e as atividades de pesquisa e desenvolvimento terão continuidade.
A conclusão do negócio depende da aprovação do Cade e do Banco Central, além do cumprimento das demais condições previstas em contrato.
Fonte original: Exame — "Eles venderam uma startup de IA de dois anos por R$ 2,9 bilhões ao Itaú. E não é a primeira vez"



