Em seu primeiro mercado latino-americano fora do Brasil, o banco lançou conta em dólares, cartão de débito e acesso a ações, ETFs e títulos do Tesouro americano. A operação local roda sobre a infraestrutura de um grupo que processa mais de 70% das carteiras digitais argentinas.
O Inter iniciou oficialmente sua operação na Argentina na terça-feira, 8 de setembro. É o primeiro mercado latino-americano do banco fora do Brasil, e a escolha do país está diretamente ligada à relação histórica dos argentinos com o dólar, resultado de décadas de inflação e volatilidade cambial.
A plataforma permite que o cliente adicione recursos em pesos e acesse uma conta em dólares, além de investir no mercado americano. A oferta inicial inclui conta global em dólares com cartão de débito, transferências internacionais, eSIM e gift cards. Os investimentos nos Estados Unidos são feitos por meio da Inter Securities, com acesso a ações, ETFs e títulos do Tesouro americano.
Plug and play
Em vez de montar uma operação bancária completa desde o início, o Inter adotou um modelo asset-light, semelhante ao utilizado em sua chegada aos Estados Unidos, apoiado na infraestrutura de uma instituição local.
Esse papel caberá ao Grupo BIND. Por meio de um CVU — a identificação usada para contas virtuais no sistema financeiro argentino —, os clientes podem adicionar pesos ao aplicativo do Inter e acessar os serviços internacionais da companhia. Segundo o BIND, o grupo processa transações de mais de 70% das carteiras digitais argentinas, alcançando mais de 20 milhões de usuários.
Os serviços locais serão prestados por empresas do Grupo BIND, sob as regras do Banco Central da República Argentina e da Comisión Nacional de Valores. As operações de investimento nos Estados Unidos ficam sob responsabilidade da Inter Securities. As duas instituições permanecem juridicamente independentes.
A parceria reduz a necessidade de o Inter construir do zero sua estrutura regulatória e operacional no país. "A Argentina será o projeto-piloto para o nosso modelo de plug and play do Inter", afirmou João Vitor Menin, CEO global do banco, ao anunciar os planos de expansão no ano passado.
O recorte da operação mostra que, ao menos inicialmente, o Inter não pretende reproduzir na Argentina todo o portfólio oferecido no Brasil. A companhia entra por uma demanda específica: a busca dos argentinos por proteção em dólar e diversificação internacional.
Santiago Stel, vice-presidente sênior e CFO do Inter, está à frente do lançamento. O banco soma hoje mais de 45 milhões de clientes globalmente, mas não informou metas de usuários, volume de investimentos, aportes na operação argentina ou prazo para ampliar o portfólio local.
Três modelos de expansão
O movimento insere o Inter em uma corrida mais ampla de internacionalização das plataformas financeiras digitais latino-americanas — cada uma com um modelo diferente.
Nascido na Argentina, o Mercado Pago construiu a presença regional mais distribuída, com 88 milhões de clientes ativos e operações em oito países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil é hoje seu maior mercado.
O Nubank concentrou sua expansão em três operações próprias, com 139 milhões de clientes no Brasil, 15,8 milhões no México e 5 milhões na Colômbia. Nos Estados Unidos, obteve em janeiro deste ano uma aprovação inicial para constituir um banco nacional, mas ainda depende de outras autorizações regulatórias antes de iniciar a operação.
Fonte original: NeoFeed



