A healthtech licenciou a plataforma Melbourne Rapid Fields, criada na Universidade de Melbourne, que faz o exame de campo visual em computadores e tablets comuns por cerca de R$ 30. A meta é chegar a 2 a 3 milhões de triagens de glaucoma por ano, com foco no SUS.
O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível, e boa parte de quem tem a doença não sabe. A Sociedade Brasileira de Glaucoma estima entre 1,5 milhão e 2 milhões de casos no país, e a maioria dos pacientes ainda não tem diagnóstico.
Parte do problema está no custo do exame. Os campímetros, aparelhos que medem o campo visual, podem passar de R$ 300 mil e exigem sala própria, equipe treinada e estrutura dedicada. É esse gargalo que a IDMed quer resolver.
Do laboratório australiano às clínicas brasileiras
Fundada pelo engenheiro civil Wagih Nassar Neto, que fez mestrado na Universidade de Melbourne e passou seis anos na área de novos negócios da indústria farmacêutica, a IDMed licencia e distribui no Brasil a Melbourne Rapid Fields (MRF). A plataforma foi desenvolvida por um professor da universidade australiana.
A tecnologia usa a câmera e a tela de um computador comum. Com machine learning, o software identifica o paciente, ajusta a posição dele diante da tela e apresenta os estímulos luminosos em diferentes áreas do campo visual. O relatório sai na hora.
O caminho até o MRF teve um tropeço. O primeiro projeto de Neto foi trazer uma solução suíça baseada em óculos de realidade virtual. A negociação demorou e, quando avançou, concorrentes já tinham soluções parecidas no mercado.
Modelo por exame, não por máquina
A IDMed não vende equipamento: cobra pelo uso da plataforma. O pacote de entrada tem 50 exames, que podem ser usados em até um ano, a cerca de R$ 30 por exame, ou R$ 15 por olho. Há planos de maior volume e contratos anuais para redes e instituições, com créditos distribuídos entre unidades.
O lançamento comercial foi em maio de 2026, e a solução já está em algumas clínicas particulares. A aposta principal, porém, é o setor público. O argumento da empresa é que o diagnóstico tardio empurra pacientes para cirurgias e eleva os custos do sistema de saúde.
Metas e desafios
A IDMed mira entre 2 milhões e 3 milhões de exames de triagem por ano e projeta faturamento de R$ 45 milhões a R$ 60 milhões até 2028, somando contratos públicos e privados.
Para chegar lá, a healthtech terá de convencer oftalmologistas e gestores de saúde a adotar uma tecnologia ainda nova no país. A lógica de trocar hardware caro por software pago por uso, porém, conversa com a busca do SUS por formas de ampliar a triagem sem investir em equipamentos pesados.
Fonte original: Exame



