A mesa de criptoativos Grupo Caldeira OTC e a Urban, de infraestrutura para ativos virtuais e pagamentos globais, uniram suas operações sob a marca Urban. A nova empresa soma volume conjunto transacionado superior a R$ 21 bilhões neste ano e prepara seu pedido de autorização como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais.
A operação reúne duas empresas que vinham de trajetórias independentes. O Grupo Caldeira OTC, fundado por Caroline Caldeira e Yago Carvalho, é uma mesa de operações de criptoativos voltada a clientes institucionais, com atuação em liquidez, market making, arbitragem e execução de operações de alto volume.
A Urban, fundada por Cristian Tolosa, Israel Lujan e Rafael Steinfeld, desenvolveu infraestrutura tecnológica proprietária para ativos virtuais e pagamentos globais, com automação de processos, integração por APIs e mecanismos de rastreabilidade e controle operacional.
Estrutura da nova Urban
A empresa resultante mantém a marca Urban e começa a operar com sede em São Paulo e presença operacional no Rio de Janeiro. A base de clientes inclui fintechs, instituições financeiras e tesourarias corporativas, e a companhia realiza pagamentos internacionais para Estados Unidos, Europa e Ásia.
Os fundadores dividem a gestão: Yago Carvalho assume como CEO, Caroline Caldeira como COO, Cristian Tolosa como CFO, Israel Lujan como diretor de Tesouraria Operacional e Rafael Steinfeld como Chief Legal Officer.
Segundo Carvalho, o Grupo Caldeira OTC levou à combinação a excelência operacional, comercial e de atendimento, enquanto a Urban contribuiu com tecnologia proprietária e escalável. Com a fusão, tecnologia, liquidez e operação passam a ficar na mesma empresa, o que, de acordo com o comunicado, elimina dependências externas.
A fusão foi idealizada pela UP TO Capital, que atuou como assessora estratégica e identificou as sinergias entre as empresas. A assessoria jurídica ficou com o Demarest Advogados.
Três frentes de negócio
A Urban vai concentrar a atuação em três linhas. Como liquidity provider, fornecerá liquidez de ativos virtuais em escala institucional. Em pagamentos e transferências internacionais, oferecerá soluções cross-border com uso de ativos virtuais. Já no modelo Crypto as a Service, disponibilizará tecnologia e infraestrutura para que outras empresas do setor desenvolvam seus próprios produtos.
A operação é predominantemente B2B, com presença em modelos B2B2C por meio das soluções oferecidas aos clientes. A empresa também afirma estar estruturada para crescer no Brasil e avaliar oportunidades de expansão internacional.
Regulação no horizonte
O anúncio acontece após as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, que estabeleceram regras de autorização, funcionamento e prestação de serviços de ativos virtuais. Para as empresas abrangidas pelo regime de transição, 30 de outubro de 2026 é um marco para o protocolo do requerimento inicial de autorização no Banco Central.
A Urban informa que está preparando o pedido como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais, com protocolo previsto dentro do prazo regulatório aplicável. Segundo as empresas, a combinação não foi motivada exclusivamente pela nova regulação: as conversas partiram de sinergias estratégicas e operacionais, e o avanço das regras reforçou a importância de concentrar tecnologia, liquidez, governança e controles em uma única estrutura.
"Não se trata apenas de atender a novas exigências formais, mas de construir governança, controles, capital e processos capazes de sustentar operações cada vez mais complexas", afirma Steinfeld.
Fonte original: Urban (comunicado à imprensa)



