Criada por dois amigos de 16 anos que revendiam milhas de familiares, a FlyBy virou uma operação de viagens de lazer e corporativas em cinco países. A projeção para 2026 é de R$ 1,2 bilhão em faturamento, contra R$ 118 milhões em 2022 — tudo com capital próprio.
A FlyBy começou em 2017 com um cálculo doméstico. O pai de Gianlucca Nahas, médico, queria viajar para a Itália, mas a passagem custava R$ 20 mil. O filho lembrou que o tio tinha milhas prestes a expirar e intermediou a negociação: o tio vendeu os pontos ao irmão por R$ 2 mil, gerando uma economia de R$ 18 mil.
"Um ficou feliz porque pagou mais barato, outro porque recebeu dinheiro. Eu pensei: quantas pessoas acumulam milhas e não sabem como usá-las?", conta Nahas.
Ele levou a ideia para o amigo de infância Marco Fragali, que sugeriu cadastrar as milhas das amigas de sua avó. As primeiras 30 mulheres cadastradas somavam cerca de 10 milhões de milhas. O modelo funcionava como marketplace: a empresa reunia quem queria vender pontos e quem buscava passagens mais baratas, emitia o bilhete e remunerava o dono das milhas.
O negócio cresceu dentro do colégio. "Contratamos funcionários, alugamos um escritório. Como éramos menores de idade, tivemos até que nos emancipar para poder formalizar o negócio", afirma Nahas. Aos 18 anos, os fundadores já tinham 15 funcionários.
Portfólio e internacionalização
O salto de escala veio de duas frentes simultâneas. A primeira foi ampliar o portfólio: além de passagens, a FlyBy passou a vender hospedagem, passeios, ingressos, cruzeiros e demais serviços turísticos, capturando mais etapas de cada viagem.
"Se a passagem de milhas estiver mais barata, venderemos uma passagem de milhas. Mas, se a passagem em dinheiro for mais barata, vendemos a passagem convencional", diz o fundador.
A segunda frente foi a internacionalização, iniciada em 2022, com operações nos Estados Unidos, México, Colômbia e Peru. O México já é o segundo maior mercado da companhia, atrás apenas do Brasil. "O México tem um comportamento do consumidor muito parecido com o brasileiro. Foi onde a gente teve mais facilidade para entrar", afirma Nahas. Nos Estados Unidos, a barreira é cultural — um consumidor menos focado em serviço e mais em digitalização.
Corporativo é a próxima aposta
Hoje, 60% do faturamento vem de pessoas físicas e 40% de pessoas jurídicas. A meta é chegar a pelo menos metade da receita no segmento corporativo, considerado mais estável. "A pessoa física faz uma, duas ou três viagens por ano. A pessoa jurídica está sempre viajando", diz.
A empresa também estrutura uma nova frente de eventos corporativos e particulares. E faz questão de sublinhar o modelo de financiamento: a FlyBy nunca recebeu investimento externo.
"Os números de 2026 são a prova de que dá para escalar um negócio de alto padrão sem depender de aporte externo. Cada real que reinvestimos veio da própria operação", afirma Nahas.
O pano de fundo é um setor em alta. O turismo brasileiro faturou R$ 185 bilhões entre janeiro e outubro de 2025, alta de 6,4% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da FecomercioSP com base em dados do IBGE.
Fonte original:Exame



