Quatro anos depois do último aporte, a startup de gestão de benefícios, pessoas e despesas corporativas fechou uma rodada com investidores que já estavam no captable. A Endeavor Catalyst entra como novo nome. "Não precisávamos de dinheiro", diz o CEO Ricardo Salem.
A Flash anunciou nesta quarta-feira (19) uma rodada Série D de R$ 150 milhões, liderada pela gestora Battery Ventures e pelo investidor americano Kevin Efrusy, um dos primeiros a apostar no Facebook pela Accel Partners. Os dois já integravam o captable da startup.
O cheque é bem menor do que os US$ 100 milhões — cerca de R$ 500 milhões na cotação da época — captados em 2022, também sob liderança da Battery, ao lado da Whale Rock. E, segundo a companhia, não veio por necessidade.
"Estamos com uma empresa sólida, dobrando ano a ano e, ainda assim, gerando muito caixa. Não precisávamos de dinheiro ou de grandes cheques", afirma Ricardo Salem, cofundador e CEO da Flash. Ele diz que havia novos investidores dispostos a aportes mais robustos, mas que a escolha foi outra: "Optamos por fazer com quem já nos conhece, senta no nosso board e já nos ajuda para ganhar opcionalidade e agressividade."
A rodada não fechou as portas para nomes de fora. A americana Endeavor Catalyst entrou no captable da startup, que já havia captado mais de R$ 800 milhões ao longo da trajetória.
De desafiante a plataforma
Fundada em 2019 para desafiar os incumbentes do mercado de benefícios, a Flash migrou nos últimos três anos para um modelo de plataforma one stop shop, embarcando rotinas dos departamentos de recursos humanos nas unidades de pessoas e de despesas corporativas.
Hoje a empresa cobre mais de 2 milhões de vidas em mais de 60 mil clientes, entre pequenas e médias empresas e nomes como Pepsico, Suzano e Ford. Cerca de 35% dessa base já usa mais de um módulo da plataforma.
O pano de fundo é um mercado de R$ 150 bilhões em receita, historicamente dominado por Alelo, Ticket, Pluxee (ex-Sodexo) e VR, e que vem sendo remodelado por mudanças nas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) desde 2021. Entre as mais recentes, que passaram a valer neste ano, está a proibição dos rebates — os descontos de 2% a 5% concedidos pelas empresas de benefícios às contratantes de grande porte.
"Nos últimos três anos, essas mudanças definiram o modelo que nós pensamos há 5, 6 anos como o novo default da indústria", diz Salem.
Para onde vai o cheque
Somado ao aporte de R$ 400 milhões já anunciado para 2026, o novo recurso vai acelerar o desenvolvimento de produtos nas três unidades de negócio. Entre as novidades está um copiloto que promete gerar insights e automatizar um pacote extenso de rotinas de RH.
Depois de entrar em recrutamento e seleção — a startup já cobria admissão e controle de jornada —, o plano é estender a atuação a outras etapas do ciclo do profissional dentro da empresa, com mais inteligência artificial tanto nos processos internos quanto nos produtos.
Fonte original: NeoFeed



