A fintech de infraestrutura de crédito levantou R$ 500 milhões por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, com demanda superior ao volume ofertado, e estima gerar mais de R$ 1 bilhão em receita adicional para seus parceiros varejistas.
A Ume anunciou nesta quarta-feira (12) uma captação de R$ 500 milhões estruturada em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Segundo a companhia, a procura pela operação superou o volume ofertado ao mercado.
Participaram da captação Itaú, Bradesco, XP — por meio da gestora Augme —, Milenio, Verde e Credit Saison. Os fundos foram estruturados e são geridos pela Milenio Capital, gestora de crédito estruturado que acompanha a fintech desde o início da operação.
A Ume opera como infraestrutura financeira terceirizada. A empresa oferece a varejistas, marketplaces e prestadores de serviço a plataforma, a análise de risco e o acesso ao capital necessários para que essas companhias concedam crédito diretamente aos próprios consumidores, sem precisar montar uma operação financeira interna.
Na prática, uma loja pode embutir uma opção de financiamento na própria jornada de compra. A tecnologia da Ume avalia individualmente cada consumidor e define quem terá acesso ao crédito e qual limite será concedido, enquanto o parceiro estabelece as condições comerciais.
Números da operação
A companhia estima que o modelo pode elevar as vendas dos parceiros em até 15% e dobrar o lucro dessas operações. Os R$ 500 milhões recém-captados devem gerar mais de R$ 1 bilhão em receita adicional para as empresas atendidas, segundo projeção da própria fintech.
A captação vem poucos meses depois de um FIDC de R$ 150 milhões concluído no início do ano. Antes dele, a Ume já havia estruturado um fundo de aproximadamente US$ 20 milhões.
"Iniciamos o ano com um FIDC de R$ 150 milhões e a forte demanda dos parceiros acelerou essa nova captação de R$ 500 milhões", afirmou Theo Ramalho, cofundador da Ume, em nota. Segundo o executivo, o recurso chega em um momento difícil para o varejo, marcado por juros elevados e incertezas econômicas.
Hoje, a Ume está presente em 10 mil pontos de venda e atende cerca de 4 milhões de consumidores no país. A expectativa é movimentar R$ 2 bilhões em transações ao longo de 2026, considerando o ritmo atual da operação.
IA como camada de infraestrutura
A inteligência artificial não é usada apenas na análise de crédito. A plataforma opera com agentes de IA que atuam na concessão, na precificação, na cobrança e no atendimento, o que permite escalar a carteira sem que cada varejista mantenha estrutura própria para administrá-la.
A empresa nasceu de uma tese de doutorado em inteligência artificial aplicada ao crédito. O desenvolvimento tecnológico é liderado pelo CTO Berthier Ribeiro-Neto, fundador da Akwan, empresa de buscas adquirida pelo Google, onde ele comandou a área de engenharia por 20 anos.
O movimento acompanha o avanço dos FIDCs como fonte de funding para fintechs de crédito. No primeiro semestre de 2026, esses fundos captaram R$ 30,6 bilhões líquidos, segundo a Anbima. Pesquisa da PwC mostra que a participação do instrumento subiu de 15% para 25% das empresas do setor, e 65% das fintechs consultadas o consideram fonte prioritária de captação para o ano.
*Fonte original: Finsiders Brasil



