Economia

    Fintechs de crédito digital concedem R$ 53,8 bilhões em 2025, alta de 51%, e avançam sobre o capital produtivo

    Levantamento da ABCD em parceria com a PwC mostra que o crédito concedido por fintechs digitais cresceu mais da metade em um ano e marca uma nova etapa da descentralização bancária no Brasil.

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    Redação

    15 de julho de 20263 min de leitura
    Fintechs de crédito digital concedem R$ 53,8 bilhões em 2025, alta de 51%, e avançam sobre o capital produtivo

    O volume de crédito concedido pelas fintechs digitais brasileiras alcançou R$ 53,8 bilhões em 2025, um avanço de 51% sobre o ano anterior. O dado consta da 6ª edição da Pesquisa Fintechs de Crédito Digital, realizada pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD) em parceria com a PwC.

    O número marca uma virada de agenda no setor. Durante anos, o debate girou em torno da inclusão financeira — abrir contas, movimentar recursos, pagar pelo celular. Esse capítulo, na leitura do mercado, está em grande medida resolvido.

    "Milhões de brasileiros já conseguem abrir contas, fazer pagamentos e movimentar recursos pelo celular. O próximo passo é ampliar o acesso ao capital produtivo, e as fintechs estão assumindo esse protagonismo", afirma Wagner Moraes, economista e CEO da A&S Partners, especialista em macroeconomia, fintechs e meios de pagamento.

    Da conta digital ao crédito

    A distinção é relevante. Abrir uma conta digital é um evento de baixo atrito e baixo risco para a instituição. Conceder crédito exige modelo de risco, capital e capacidade de absorver perdas — um teste bem mais duro para quem chegou depois.

    O salto de 51% sugere que uma parcela das fintechs passou nesse teste. Segundo Moraes, o crescimento mostra que a descentralização bancária deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se tornar um vetor de desenvolvimento econômico.

    O sistema financeiro brasileiro segue altamente concentrado. Mas começa a dividir espaço com modelos capazes de oferecer análises de risco mais inteligentes, processos menos burocráticos e produtos mais aderentes à realidade de pequenos empreendedores e empresas que historicamente encontraram dificuldade para acessar crédito.

    O efeito sobre a economia real

    Na avaliação do especialista, a competição promovida pelas fintechs beneficia toda a atividade econômica. Quando mais empresas conseguem acessar recursos para investir, contratar e crescer, o dinamismo se espalha para além do setor financeiro.

    "O crédito deixa de ser apenas um produto financeiro e passa a funcionar como instrumento de geração de renda, produtividade e desenvolvimento", diz Moraes.

    A leitura final do levantamento é que o Brasil entrou definitivamente em uma nova etapa da evolução do seu sistema financeiro — e que a métrica de sucesso mudou de lugar.

    "A verdadeira transformação não será medida apenas pela quantidade de contas digitais abertas, mas pela capacidade dessas novas instituições de ampliar o crédito de forma sustentável, competitiva e acessível", conclui o economista.

    O desafio adiante é justamente esse: sustentar o ritmo de expansão sem deteriorar a qualidade da carteira — um equilíbrio que o setor ainda precisará provar ao longo dos próximos ciclos.

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