A plataforma espanhola de tecnologia para cultura e eventos presenciais triplicou a receita em três anos com EBITDA positivo, opera em 55 países e fechou contrato com a Fórmula 1 até 2031. No Brasil, é a bilheteria oficial da Bienal do Livro de São Paulo e do Salão do Automóvel.
A rodada de investimento primário foi liderada pela EQT, maior gestora de mercados privados da Europa, com participação relevante da Point72 Private Investments, da Baillie Gifford e de investidores que já estavam na base acionária. Segundo a companhia, é o maior aporte já registrado por uma empresa de tecnologia do setor de entretenimento ao vivo.
O cheque não chega sobre uma promessa. A Fever mais que triplicou a receita nos últimos três anos, manteve EBITDA positivo no período e ampliou a operação na América do Norte e na Ásia. A rede de parceiros reúne Fórmula 1, Palácio de Versalhes, Primavera Sound, FC Barcelona, Atlético de Madrid, Netflix e Warner Bros.
O acordo mais recente é o da Fórmula 1. A Fever passa a ser Fornecedora Oficial da categoria até 2031, com tecnologia de bilheteria e otimização da experiência dos torcedores em todos os Grandes Prêmios do calendário. O contrato inclui ainda a distribuição internacional de ingressos, hospitalidade e pacotes Paddock Club pelo site oficial da F1.
A operação brasileira já mostra números
No Brasil, a companhia é fornecedora oficial de ingressos da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que bateu recorde de público em 2026: 760 mil visitantes em dez dias, contra 722 mil em 2024. O evento registrou alta de 57% na média diária de faturamento dos expositores, resultado que a organização atribui em parte à ampliação do sistema de cashback.
A Fever também opera a bilheteria do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, que voltou ao calendário paulistano em 2025 após sete anos de hiato e reuniu 516 mil visitantes em dez dias no Distrito Anhembi.
A atuação no país vai além da venda de ingressos. A empresa produz eventos próprios, concebidos e desenvolvidos internamente — e não apenas distribuídos pela plataforma.
O carro-chefe é o Candlelight, série global de concertos à luz de velas que adapta repertório e espaços a cada mercado. O projeto está em 49 cidades brasileiras e chegou a reunir mais de 100 concertos em uma única semana, com programação que vai da música clássica a trilhas de filmes, séries e grandes artistas.
O portfólio nacional inclui ainda "Titanic: Uma Viagem Imersiva", que levou artefatos originais do navio e recriações de ambientes ao Shopping Eldorado, em São Paulo; "A Mente de um Serial Killer", exposição imersiva em cartaz no mesmo espaço; o Water Lantern Festival, que estreou no país em 2026 com lanternas aquáticas de LED; além de Dopamine Land e DroneArt Show.
Para onde vai o capital
Cofundada e liderada pelos espanhóis Ignacio Bachiller, Francisco Hein e Alexandre Pérez, a Fever vai aplicar os recursos em três frentes: expansão geográfica além dos 55 países onde já opera, entrada em novas categorias de entretenimento e investimento em tecnologia para parceiros.
Essa terceira frente é a que sustenta o modelo. As ferramentas atendem promotores, casas de espetáculo, times esportivos, atrações, artistas, museus e instituições culturais, ajudando-os a entender a demanda, alcançar o público certo, otimizar a bilheteria e levar formatos bem-sucedidos a novos mercados.
O movimento funciona como termômetro de para onde o capital institucional olha. Enquanto boa parte do mercado de tecnologia debate o que a inteligência artificial vai substituir, um aporte de US$ 250 milhões liderado pela maior gestora de mercados privados da Europa aposta na direção oposta: tecnologia aplicada à experiência presencial — descoberta, bilheteria, otimização de demanda — tratada como infraestrutura que a IA pode fortalecer, não ameaçar.
Fonte original: Fever — comunicado da companhia



