A gestora chega à primeira década com mais de 120 startups no portfólio, seis fundos e R$ 850 milhões sob gestão. Depois de estrear em crédito com um FIDC de R$ 100 milhões em junho, quer deixar de ser apenas um fundo de venture capital.
A DOMO.VC completa 10 anos em um momento de virada. A gestora, que nasceu como um fundo de venture capital tradicional, trabalha agora para se posicionar como uma "plataforma de capital para tecnologia", oferecendo às startups mais do que cheques de equity.
O primeiro passo nessa direção foi dado em junho deste ano, com o lançamento de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de R$ 100 milhões voltado a empresas de tecnologia. A leitura dos sócios é de que o sistema bancário tradicional não foi desenhado para atender esse perfil de empresa.
"O banco tradicional trata a startup como uma padaria. É difícil para essa turma atender ao crescimento rápido e às necessidades dessas empresas, existe pouca flexibilidade", afirmou Marcello Gonçalves, cofundador da DOMO, em entrevista ao portal Startups. Segundo ele, a flexibilidade de estruturação do FIDC foi justamente o que chamou a atenção da casa.
Crédito como diferencial competitivo
Para Rodrigo Borges, também cofundador, a entrada em crédito responde a uma pressão competitiva do próprio mercado de venture capital. "O nosso dinheiro é igual ao dinheiro da Kaszek, da Monashees, da Headline", disse. O argumento é que, num setor em que o capital é commodity, a diferenciação vem do que se entrega além dele — e o crédito, segundo o sócio, traz eficiência de capital com menos diluição para o empreendedor.
Outro plano em estudo é criar um veículo específico para rodadas Série A e B, hoje atendidas apenas em base de best efforts, quando a gestora monta um fundo sob demanda para acompanhar uma investida. Felipe Andrade, o terceiro fundador, admite que não há plano formal nesse sentido e indica que uma estruturação desse tipo pode ficar para o período pós-eleitoral, com o ambiente político mais estável.
Sucessão e perpetuidade
A DOMO também está se reorganizando internamente para sobreviver aos próprios fundadores. A ideia é preparar uma nova geração de sócios para assumir posições de liderança, espelhando o que fizeram casas americanas mais antigas, como Sequoia e Kleiner Perkins, hoje na terceira ou quarta geração.
"A gente tem uma preocupação legítima em criar uma franquia. Não é um fundo do Marcello, do Rodrigo e do Felipe. É uma casa de venture capital que a gente quer perpetuar", afirmou Rodrigo.
Do Booking.com ao Buscapé
A origem da gestora antecede sua fundação formal. Marcello e Felipe se conhecem há mais de 30 anos, de quando trabalhavam juntos no banco britânico Barclays. Rodrigo cruzou o caminho dos dois enquanto estava à frente do Buscapé, que fundou em 1998.
O embrião surgiu em 2012, quando Marcello e Felipe atuavam em um family office e tentavam convencer a família controladora a migrar de crédito para equity. Um dos clientes era o holandês Kees Koolen, cofundador do Booking.com, a quem Marcello propôs a criação de um fundo. A proposta prosperou — e deu origem à Koolen, antecessora direta da estrutura que se tornaria a DOMO.
Fonte original: Startups.com.br



