A empresa americana de dados e IA quase triplicou seu negócio no país nos últimos dois anos e hoje atende oito das dez maiores companhias de quatro setores, segundo o ranking Valor 1000. O novo aporte inclui ampliação do time local e um programa de capacitação com meta de 150 mil pessoas.
A Databricks anunciou um investimento de R$ 1,5 bilhão (US$ 300 milhões) no Brasil ao longo dos próximos três anos. O objetivo declarado é acelerar a adoção de inteligência artificial corporativa entre empresas brasileiras que estão saindo da fase de experimentação para colocar IA em produção.
O anúncio vem na esteira de um crescimento acelerado no país: o negócio da companhia quase triplicou nos últimos dois anos. Hoje, ao menos oito das dez maiores empresas dos setores de educação, varejo, saúde e serviços financeiros, segundo o ranking Valor 1000, usam a plataforma da Databricks para unificar dados, analytics e IA.
A empresa não detalhou a composição do valor anunciado.
O que a companhia quer vender
A aposta se apoia em três produtos. O Genie é apresentado como um "colega de trabalho agêntico", que permite a usuários de negócio consultar dados corporativos em linguagem natural e transformar as respostas em ações.
O Unity Gateway atua na camada de governança: gerencia uso, segurança e custos de IA entre diferentes modelos, agentes, MCPs e ferramentas. Já o Lakebase, banco de dados Postgres serverless, fornece a memória que agentes de IA precisam para executar fluxos de trabalho.
O argumento comercial mira uma preocupação recorrente entre executivos: escalar IA sem perder controle sobre dados, governança e custos — e sem ficar preso a um único fornecedor.
"Os executivos brasileiros já não discutem mais se devem adotar a IA, mas como utilizá-la para gerar um impacto maior sem abrir mão da governança, do controle sobre os custos ou da liberdade para evitar a dependência de fornecedores", afirma Marcos Grilanda, vice-presidente para a América Latina na Databricks.
Carteira de clientes e aposta em talentos
A lista de clientes brasileiros divulgada pela empresa inclui Banco do Brasil, Bradesco, Cielo, Dock, Gerdau, iFood, Natura, Nubank, PicPay, Petrobras, Santander, Vale e YDUQS. O ecossistema local soma mais de 300 parceiros.
Parte relevante do compromisso está na formação de mão de obra: a Databricks pretende capacitar mais de 150 mil pessoas em habilidades de dados e IA nos próximos três anos e meio, por meio de parcerias com instituições acadêmicas, treinamentos online gratuitos e uso da Databricks Free Edition.
Entre os clientes, o discurso é de mudança na forma de consumir dados. "O Genie preenche a lacuna entre a complexidade técnica e a estratégia de negócios", diz Daniel Marques, chief data officer da Natura. Segundo ele, a ferramenta permite que equipes façam perguntas mais complexas do que aquelas para as quais dashboards tradicionais foram desenhados.
Na Dock, o uso é voltado à base de clientes. "O Genie nos ajuda a entender o que está acontecendo em nossa base, transformar essas ações em insights relevantes e identificar novas maneiras de maximizar o valor", afirma Henrique Casagrande, CEO da companhia.
Informações enviadas pela assessoria de imprensa da Databricks.



