Estudo Data Center Brasil 2026, da JLL, aponta 134 MW a serem entregues no segundo semestre, com cerca de US$ 8 bilhões em investimentos. São Paulo concentra 38% da capacidade instalada e a vacância está em 4%.
O mercado brasileiro de data centers vive seu ciclo mais intenso de expansão. Levantamento da consultoria JLL, reunido no estudo Data Center Brasil 2026, projeta a entrega de 134 MW de capacidade no segundo semestre deste ano, sustentados por cerca de US$ 8 bilhões — o equivalente a R$ 41,1 bilhões.
O número acelera em relação ao começo do ano. No primeiro semestre de 2026 foram entregues 106 MW, sendo 75 MW em Campinas e 31 MW na região de São Paulo e Barueri. Entre as operações do período, a Ascenty colocou em funcionamento um data center de colocation de 20 MW em Vinhedo, no interior paulista.
A geografia do setor continua concentrada. São Paulo responde por 38% dos megawatts instalados no país, resultado da combinação entre demanda corporativa, infraestrutura de energia e conexões de fibra que fazem do estado o principal ponto de troca de tráfego da América Latina.
A ocupação também é apertada. A vacância no mercado brasileiro está em 4%, e 56% do novo estoque já foi pré-locado antes mesmo da entrega — indicador de que a demanda tem corrido à frente da construção, movimento puxado por cargas de inteligência artificial, computação em nuvem e migração de sistemas corporativos.
A concentração aparece ainda na lista de operadores. Ascenty, Odata e Scala somam 70% do mercado, com 30%, 20% e 18% de participação, respectivamente. Equinix e Elea Digital aparecem na sequência, com 9% cada.
O horizonte é mais agressivo. Segundo a JLL, há 660 MW em construção no país, com investimentos estimados em US$ 17,4 bilhões, cerca de R$ 89 bilhões. Se o cronograma se confirmar, o mercado brasileiro de data centers dobra de tamanho até 2030.
O impacto vai além do setor imobiliário e de infraestrutura. Startups de inteligência artificial, dados e SaaS dependem de capacidade computacional disponível e de latência baixa para operar no país — e a alternativa, quando falta oferta local, é processar cargas fora do Brasil, o que encarece a operação e complica exigências de residência de dados.
A expansão também coloca energia no centro do debate. Cada megawatt adicional exige contratação de carga firme e conexão à rede, tema que já orienta a escolha de novas praças fora do eixo tradicional, como Campinas e outras cidades do interior paulista.
Fonte original: Forbes Brasil



