Desenvolvida em Americana (SP) por um único fundador, com apoio de IA e sem captação externa, a plataforma conduz entrevistas separadas com as duas partes de um acordo, cruza as respostas e expõe as divergências antes de qualquer cláusula ser escrita.
A Contractype, plataforma brasileira no ar em contractype.com, parte de uma premissa que inverte a lógica dos geradores de contrato disponíveis no mercado: se um contrato é o registro escrito de um acordo entre duas pessoas, ele deveria ser escrito ouvindo as duas.
Na prática mais comum, o processo é assimétrico. Uma das partes baixa um modelo na internet, preenche com o que entendeu da negociação e envia para a outra assinar. O documento registra a versão de apenas um dos lados, e o desalinhamento só aparece meses depois, quando o trabalho já está em curso e o contrato não oferece resposta para a divergência.
Quem está por trás
A plataforma foi idealizada e desenvolvida por André Amaral, especialista em marketing digital e tecnologia criativa com mais de quinze anos de atuação. Baseado em Americana, no interior de São Paulo, ele comanda a WMENU (Web & Digital Solutions), agência que atende clientes nos setores de fintech, alimentação e consultoria empresarial.
Foi na rotina da agência que o padrão se tornou visível. Segundo Amaral, o problema não está na qualidade dos modelos de contrato, mas no momento em que eles entram na relação: um contrato bem escrito que chega depois do desalinhamento apenas dá aparência formal a um mal-entendido.
O projeto também chama atenção pelo método de construção. A Contractype foi desenvolvida integralmente por uma única pessoa, com apoio de desenvolvimento assistido por inteligência artificial, sem equipe contratada e sem captação de investimento externo. A versão no ar reúne arquitetura de IA, fluxo completo de entrevistas, geração de documentos, sistema de pagamento e interface bilíngue.
Como funciona
O fluxo tem seis etapas. A primeira parte é entrevistada em particular por uma IA que conduz uma conversa (não um formulário) sobre escopo, valores, prazos, condições e identificação legal, sem necessidade de criar conta.
Ao final, é gerado um link privado para envio à outra parte, que passa pela mesma entrevista de forma independente e sem acesso às respostas anteriores. O isolamento é deliberado: em conversas conjuntas, as pessoas tendem a suavizar divergências para não travar a negociação.
A IA então cruza as duas entrevistas e aponta, ponto a ponto, onde há convergência e onde há divergência, inclusive divergências que nenhuma das partes havia percebido. Em seguida, um chat mediado conduz a negociação de cada ponto conflitante, com o contrato atualizado em tempo real. Só ao final o documento em PDF é gerado e enviado por e-mail às duas partes, quando ocorre a cobrança.
A plataforma oferece sete tipos de contrato: prestação de serviços, trabalho autônomo e PJ, NDA, parceria comercial, venda de bens digitais, locação residencial e empréstimo entre pessoas. A interface está em português e inglês, com seleção entre mais de 190 países no cadastro.
O mercado
Dados da AB2L indicam que o Brasil tem mais de 600 legaltechs em atividade, o que coloca o país entre os maiores mercados de inovação jurídica fora dos Estados Unidos e da Europa.
O público-alvo da Contractype, porém, não é o profissional do direito, e sim quem fecha acordos sem advogado: prestadores de serviço, autônomos, microempresários, duplas de sócios e locadores informais. Nesse universo, a elaboração de um contrato por escritório especializado, que costuma custar entre R$ 800 e R$ 3.000, é economicamente inviável para acordos de menor valor.
A plataforma cobra R$ 49,90 por contrato, sem mensalidade e sem assinatura, com pagamento apenas na conclusão do documento. A Contractype não é escritório de advocacia e não presta consultoria jurídica, ressalva exibida na própria interface, que recomenda revisão por profissional habilitado em acordos de valor elevado.
Questionado sobre o que separa a plataforma dos geradores de contrato já existentes, Amaral responde com uma distinção conceitual: o setor trata o contrato como um documento a ser preenchido, quando ele é um acordo a ser verificado. Preencher um documento é tarefa individual; verificar um acordo exige ouvir os dois lados.
Serviço: contractype.com



