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    Clara lança cartão de abastecimento no Brasil e mira 10% de um mercado de R$ 400 bilhões em 15 meses

    A fintech mexicana de gestão de pagamentos corporativos, que já levantou mais de US$ 480 milhões e tem sede em São Paulo desde 2023, lançou o Clara Veículos, um cartão pós-pago para abastecimento de frotas que promete economia de 10% a 20% no gasto com combustível.

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    Redação

    22 de setembro de 20264 min de leitura
    Clara lança cartão de abastecimento no Brasil e mira 10% de um mercado de R$ 400 bilhões em 15 meses

    A fintech mexicana de gestão de pagamentos corporativos, que já levantou mais de US$ 480 milhões e tem sede em São Paulo desde 2023, lançou o Clara Veículos, um cartão pós-pago para abastecimento de frotas que promete economia de 10% a 20% no gasto com combustível.

    A Clara estima que o mercado de abastecimento corporativo movimente cerca de R$ 400 bilhões por ano no Brasil e quer conquistar 10% desse segmento em um prazo de 12 a 15 meses após o lançamento. Para liderar a nova vertical no país, a empresa contratou João Cláudio Ribeiro, executivo com passagem pelos setores de mobilidade e pagamentos corporativos.

    O produto é um cartão de crédito corporativo com bandeira Mastercard destinado exclusivamente ao abastecimento. Cada veículo recebe um cartão próprio, e a empresa define regras como limite individual de gasto, dias e horários de uso e informações obrigatórias no momento da compra, incluindo a quilometragem do veículo. As transações aparecem em tempo real na plataforma, e o motorista pode enviar a nota fiscal pelo WhatsApp para vincular o comprovante à despesa.

    A aposta da fintech está em dois pontos de ruptura com o modelo dominante no país. O primeiro é o arranjo aberto: em boa parte do mercado, os cartões de combustível funcionam apenas em postos previamente cadastrados pela emissora. No Clara Veículos, o cartão é aceito em qualquer posto da rede Mastercard.

    O segundo é o pagamento pós-pago. Em várias soluções tradicionais, a empresa precisa depositar recursos antes do consumo em uma carteira ou cartão. Com juros elevados, esse dinheiro fica parado até o abastecimento acontecer. A Clara inverte a ordem e cobra depois do consumo.

    "Vimos muita demanda dos nossos clientes para gerenciar essa categoria de despesas, na qual as empresas gastam muito e ainda enfrentam problemas por falta de controle", afirmou Gerry Giacomán Colyer, fundador e CEO da Clara.

    Segundo a empresa, a combinação entre aceitação mais ampla, pagamento posterior e controle detalhado das despesas pode gerar economia de 10% a 20% no gasto com combustível, dependendo do perfil da operação. "Adaptamos a plataforma Clara para atender melhor esse segmento. É um produto que combina arranjo aberto, em vez do arranjo fechado predominante no mercado, com uma solução pós-paga", disse Gerry.

    A Clara foi fundada em 2020, na Cidade do México, por Gerry Giacomán Colyer e Diego García Escobedo, para resolver problemas de controle de gastos corporativos, como reembolsos manuais e acompanhamento de despesas em planilhas. Em 2021, oito meses após o início das operações comerciais, alcançou o status de unicórnio.

    A trajetória de captação é longa. A Série A de US$ 30 milhões foi liderada por Kaszek Ventures, DST Global e Monashees. Em dezembro de 2021, a Série B de US$ 70 milhões, liderada pela Coatue, levou a avaliação a US$ 1 bilhão. Vieram ainda uma linha de dívida de US$ 50 milhões do Goldman Sachs em 2022, uma extensão de Série B de US$ 60 milhões liderada pela GGV Capital em 2023 e linhas de US$ 90 milhões da Accial Capital e da Skandia FCP.

    Em abril de 2025, a companhia anunciou uma estrutura de US$ 80 milhões combinando equity e crédito, com participação de Kaszek e Citi Ventures no capital e uma linha da General Catalyst. Em novembro do mesmo ano, recebeu US$ 70 milhões do BBVA Spark, da Covalto e de investidores institucionais. No total, são mais de US$ 480 milhões levantados entre rodadas e linhas de crédito.

    O Brasil ocupa posição central na estratégia. Em 2023, a Clara transferiu sua sede corporativa para São Paulo após receber autorização do Banco Central para atuar como Instituição de Pagamento. Hoje, Brasil, México e Colômbia compõem a operação da companhia.


    Fonte original: Exame

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