O cofundador Marcelo Vasconcellos assume o comando da Buser no lugar de Marcelo Abritta, que segue no board. A empresa estima faturar R$ 700 milhões em 2026 e conta com M&As para chegar ao primeiro bilhão.
Crédito: esta reportagem tem como base matéria publicada originalmente pelo NeoFeed. Leia o texto original em neofeed.com.br.
De acordo com o NeoFeed, a Buser, conhecida como a "Uber dos ônibus", anunciou Marcelo Vasconcellos como novo CEO. Ele substitui Marcelo Abritta, com quem fundou a startup e que continuará no board da companhia.
Ao NeoFeed, Vasconcellos descreveu a mudança como uma transição natural: Abritta liderou o hipercrescimento dos primeiros anos, e ele foi assumindo mais responsabilidades à medida que a empresa passou a priorizar eficiência e outras vias de expansão além do capital de terceiros.
Aquisições no centro da estratégia
Os M&As já vinham sendo conduzidos por Vasconcellos. As compras da Expresso JK e da Transportes Santa Maria, anunciadas em março, foram as duas primeiras aquisições da história da startup e marcaram sua estreia no mercado regulado. Segundo o executivo, o anúncio do novo CEO foi adiado para não gerar ruído durante essas negociações. Em junho, a Buser também comprou a Designa, especializada em projetos de inteligência artificial.
A empresa parte de uma receita bruta de R$ 580 milhões em 2025 para um faturamento estimado de R$ 700 milhões em 2026. A distância restante até o primeiro bilhão, previsto para 2027, deve vir da compra de outras empresas. O radar inclui companhias de IA e viações tradicionais de transporte rodoviário, nas quais a Buser quer aplicar a tecnologia e os dados que desenvolveu.
Vasconcellos cita como referência o mercado de transporte rodoviário regulado, estimado entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões, que transporta mais de 100 milhões de passageiros por ano; 60% desse total ainda é feito no offline.
Números da operação
A Buser tem 14 milhões de clientes cadastrados e transporta, em média, cerca de 5 milhões de passageiros por ano. A meta para 2027 é chegar a pelo menos 6 milhões. A base se divide entre o fretamento colaborativo, as linhas reguladas da JK e da Santa Maria e um marketplace que revende passagens de mais de 150 viações parceiras.
Na Santa Maria, segundo o CEO, a receita cresceu 40% em relação a 2025, a margem Ebitda passou de cerca de 20% para aproximadamente 30% e a ocupação saiu da faixa de 55% a 60% para 70% a 75%. O plano agora é transformar essas ferramentas, de precificação, ajuste de ofertas e de malha, em produtos para os sellers do marketplace. Para 2027, a empresa também quer levar ao marketplace os serviços financeiros hoje restritos aos mais de 300 parceiros do fretamento.
Os novos planos são financiados com geração de caixa própria. Vasconcellos afirma que a Buser atingiu o break even em 2023. Desde 2017, a startup atraiu R$ 730 milhões de fundos como Softbank e Lightrock.
Disputa judicial
A empresa ainda enfrenta restrições de operação em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia, em viagens interestaduais, além de proibições pontuais em rotas intermunicipais no Ceará e no Paraná. No fim de julho, o ministro do STF Kassio Nunes Marques concedeu liminar autorizando a retomada das viagens interestaduais com destino ao Paraná. A decisão ainda pode ser revertida no próprio STF.
Fonte original: NeoFeed — "Buser escolhe 'novo piloto' para comandar o ônibus"



