O Brasil atingiu um marco que poucos analistas previram com tanta rapidez. Segundo o Consumer Pulse 2026, levantamento realizado pela consultoria Bain & Company em fevereiro deste ano, o consumidor médio brasileiro já utiliza mais inteligência artificial do que o consumidor médio dos Estados Unidos. Em janeiro de 2025, 60% dos brasileiros declaravam ter usado ferramentas de IA. Um ano depois, o número chegou a 77%. Entre a Geração Z, a penetração alcança 82%, e entre consumidores de alta renda, chega a 88%.
O ChatGPT lidera como ferramenta mais utilizada, com 79% de adesão entre os usuários de IA, seguido por Google Gemini (65%), Meta AI (46%) e Microsoft Copilot (19%). Um dado curioso aparece entre os Boomers, que demonstram maior adesão ao Meta AI e ao Copilot — um indicativo de que a adoção se concentra em plataformas já familiares, como WhatsApp e Facebook.
Mas o impacto mais relevante da pesquisa está na relação entre IA e consumo. A Bain perguntou quanto das compras online os brasileiros fariam com apoio de um assistente de compra virtual, e os números impressionam: 66% em eletrodomésticos e eletrônicos, 63% em beleza e casa, 61% em moda e 60% em farmácia, supermercado e delivery. Até a categoria mais tímida — produtos para pets — registrou 51% de intenção.
Para Ricardo De Carli, sócio da Bain & Company, os dados apontam para uma mudança estrutural na comunicação das marcas. A lógica do SEO — otimizar conteúdo para mecanismos de busca — começa a dar lugar ao conceito de GEO, ou Generative Engine Optimization: garantir presença nas respostas geradas por modelos de IA.
Na prática, isso significa que atributos de produtos precisam estar descritos de forma explícita e estruturada nos canais digitais. Se uma marca vende uma calça confortável com tecido sustentável, essas características precisam estar claramente registradas para que os modelos de linguagem consigam identificá-las e recomendá-las ao consumidor.
Um exemplo já em operação vem do Magazine Luiza, que lançou recentemente uma plataforma de compras via WhatsApp com a assistente virtual Lu. A solução reconhece imagens e áudios, sugere produtos similares e permite concluir a compra dentro do próprio aplicativo.
Para o ecossistema de startups brasileiro, o recado é claro: a corrida pela atenção do consumidor agora passa por modelos de IA generativa. Quem não adaptar sua infraestrutura de dados e conteúdo a essa nova realidade corre o risco de simplesmente desaparecer das recomendações — e, consequentemente, das decisões de compra.
Fonte original: Startups.com.br — https://startups.com.br/negocios/inteligencia-artificial/brasil-supera-eua-no-uso-de-ia-e-aponta-para-proxima-ruptura-no-varejo-digital/



