A injeção eleva o capital total comprometido pelo banco em iniciativas de CVC para R$ 500 milhões, considerando os R$ 200 milhões do primeiro fundo. A MSW Capital ficará responsável por R$ 115 milhões, a Vox Capital, por R$ 140 milhões, e aproximadamente R$ 30 milhões serão direcionados a outros fundos, em posição de cotista.
"Conseguimos extrair alguns valores estratégicos e financeiros do portfólio. E há startups que vão fazer novas rodadas. Precisávamos de dry powder para acompanhar", disse Jean Martinelli, executivo responsável pela inovação aberta do Banco do Brasil.
Tese ampliada para Série B
A grande mudança em relação ao fundo anterior é a abertura para investimentos em estágios mais avançados. Além de aportes em late seed e Série A, perfil majoritário até aqui, o BB Ventures II poderá participar de rodadas Série B, algo vetado anteriormente pelo mandato.
A MSW Capital pretende realizar de 6 a 8 investimentos com cheques entre R$ 5 milhões e R$ 15 milhões, podendo chegar a R$ 20 milhões em casos específicos. "Recebia oportunidades de Série B e descartava por mandato. Agora faz sentido ter uma porta aberta, desde que haja sinergia estratégica", afirmou Richard Zeiger, sócio da gestora.
O foco temático permanece em fintechs, govtechs e agtechs. A Vox Capital, que já operava um fundo de R$ 80 milhões para o banco, ganha uma nova vertical: biodiversidade e bioeconomia, com tecnologias de monitoramento ambiental, carbono e uso do solo. A gestora prevê de 8 a 12 investimentos e já abriu chamada pública de startups de bioeconomia durante a COP.
Integração com áreas internas
O Banco do Brasil aponta exemplos concretos para justificar a continuidade da aposta. A PayFy, investida via MSW Capital, teve sua plataforma de gestão de despesas corporativas incorporada em white label ao cartão corporativo do banco, gerando receita adicional. Já a Aprova, govtech de Cascavel que digitaliza fluxos administrativos de prefeituras, foi integrada aos convênios de arrecadação e alcançou mais de 140 municípios em poucos meses.
"Se fosse desenvolver internamente, o time to market seria mais longo e a disputa por recursos de TI seria maior", afirmou Martinelli.
Mercado em ajuste
A ampliação acontece em um cenário de seletividade no segmento de CVC. Após a retração de 2022 e 2023, muitas corporações encerraram seus programas, enquanto outras optaram por reforçar suas teses. Há menos programas ativos no mercado brasileiro, mas os cheques ficaram maiores e mais concentrados.
Moises Swirski, sócio da MSW Capital, resumiu o momento: "O hype do CVC passou. Agora as corporações tentam dar sentido ao que investiram." Segundo ele, o setor caminha para uma fase de consolidação, ainda limitada pela ausência de IPOs e pela retração de compradores estratégicos. A gestora cita as saídas de Olivia, vendida ao Nubank, e Card10, adquirida pela WebMotors, como ciclos completos que ajudam a calibrar a estratégia do novo fundo.



