Economia

    Banco do Brasil dobra aposta em CVC, lança BB Ventures II e eleva capital comprometido para R$ 500 milhões

    Em movimento na contramão da retração do mercado de corporate venture capital, o Banco do Brasil anunciou a criação do BB Ventures II, com aporte de R$ 300 milhões, e mantém MSW Capital e Vox Capital como gestoras dos novos veículos.

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    Redação

    16 de maio de 20263 min de leitura
    Banco do Brasil dobra aposta em CVC, lança BB Ventures II e eleva capital comprometido para R$ 500 milhões

    A injeção eleva o capital total comprometido pelo banco em iniciativas de CVC para R$ 500 milhões, considerando os R$ 200 milhões do primeiro fundo. A MSW Capital ficará responsável por R$ 115 milhões, a Vox Capital, por R$ 140 milhões, e aproximadamente R$ 30 milhões serão direcionados a outros fundos, em posição de cotista.

    "Conseguimos extrair alguns valores estratégicos e financeiros do portfólio. E há startups que vão fazer novas rodadas. Precisávamos de dry powder para acompanhar", disse Jean Martinelli, executivo responsável pela inovação aberta do Banco do Brasil.

    Tese ampliada para Série B

    A grande mudança em relação ao fundo anterior é a abertura para investimentos em estágios mais avançados. Além de aportes em late seed e Série A, perfil majoritário até aqui, o BB Ventures II poderá participar de rodadas Série B, algo vetado anteriormente pelo mandato.

    A MSW Capital pretende realizar de 6 a 8 investimentos com cheques entre R$ 5 milhões e R$ 15 milhões, podendo chegar a R$ 20 milhões em casos específicos. "Recebia oportunidades de Série B e descartava por mandato. Agora faz sentido ter uma porta aberta, desde que haja sinergia estratégica", afirmou Richard Zeiger, sócio da gestora.

    O foco temático permanece em fintechs, govtechs e agtechs. A Vox Capital, que já operava um fundo de R$ 80 milhões para o banco, ganha uma nova vertical: biodiversidade e bioeconomia, com tecnologias de monitoramento ambiental, carbono e uso do solo. A gestora prevê de 8 a 12 investimentos e já abriu chamada pública de startups de bioeconomia durante a COP.

    Integração com áreas internas

    O Banco do Brasil aponta exemplos concretos para justificar a continuidade da aposta. A PayFy, investida via MSW Capital, teve sua plataforma de gestão de despesas corporativas incorporada em white label ao cartão corporativo do banco, gerando receita adicional. Já a Aprova, govtech de Cascavel que digitaliza fluxos administrativos de prefeituras, foi integrada aos convênios de arrecadação e alcançou mais de 140 municípios em poucos meses.

    "Se fosse desenvolver internamente, o time to market seria mais longo e a disputa por recursos de TI seria maior", afirmou Martinelli.

    Mercado em ajuste

    A ampliação acontece em um cenário de seletividade no segmento de CVC. Após a retração de 2022 e 2023, muitas corporações encerraram seus programas, enquanto outras optaram por reforçar suas teses. Há menos programas ativos no mercado brasileiro, mas os cheques ficaram maiores e mais concentrados.

    Moises Swirski, sócio da MSW Capital, resumiu o momento: "O hype do CVC passou. Agora as corporações tentam dar sentido ao que investiram." Segundo ele, o setor caminha para uma fase de consolidação, ainda limitada pela ausência de IPOs e pela retração de compradores estratégicos. A gestora cita as saídas de Olivia, vendida ao Nubank, e Card10, adquirida pela WebMotors, como ciclos completos que ajudam a calibrar a estratégia do novo fundo.

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