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    Autris transforma resíduo de cacau da Amazônia em ativo biotecnológico e tira sabonete íntimo do laboratório com registro na Anvisa

    Fundada em Santarém (PA), a Autris desenvolveu um sabonete íntimo funcional a partir de um lactobacilo extraído da polpa do cacau, subproduto descartado na cadeia do chocolate. O produto passou por ensaios clínicos e obteve registro na Anvisa.

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    Redação

    21 de setembro de 20262 min de leitura
    Autris transforma resíduo de cacau da Amazônia em ativo biotecnológico e tira sabonete íntimo do laboratório com registro na Anvisa

    Fundada em Santarém (PA), a Autris desenvolveu um sabonete íntimo funcional a partir de um lactobacilo extraído da polpa do cacau, subproduto descartado na cadeia do chocolate. O produto passou por ensaios clínicos e obteve registro na Anvisa.

    Uma startup nascida em Santarém, no oeste do Pará, encontrou em um resíduo da cadeia do chocolate a base de um produto de saúde feminina. A Autris desenvolveu um sabonete íntimo funcional que utiliza um ativo biotecnológico extraído da polpa do cacau — parte do fruto normalmente descartada durante o processamento industrial.

    A empresa foi idealizada por Daniely Leal, de 35 anos, fisioterapeuta pélvica e pesquisadora. A formulação surgiu de demandas que ela identificou no próprio consultório, na área de saúde da mulher, e que a levaram a aprofundar a investigação durante o doutorado.

    A pesquisa apontou que a polpa do cacau abrigava um lactobacilo com potencial para auxiliar na manutenção da proteção natural do organismo feminino, atuando no equilíbrio da microbiota vaginal. O desafio seguinte era outro: levar o achado do laboratório para a prateleira.

    Para viabilizar essa travessia, a pesquisadora firmou parceria com a Unidade Embrapii G-Bioforest, também sediada em Santarém. O trabalho conjunto permitiu estruturar uma fórmula capaz de preservar a viabilidade do microrganismo até sua incorporação ao produto final — um problema técnico não trivial em cosméticos funcionais, já que bactérias vivas tendem a perder estabilidade fora de condições controladas.

    Com a formulação estabilizada, o sabonete passou por ensaios clínicos e obteve o registro regulatório junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O processo de desenvolvimento resultou na fundação da Autris, empresa criada para comercializar o produto.

    "Se não fosse a Embrapii, essa pesquisa provavelmente seria apenas uma tese de doutorado. Hoje ela se transformou em um produto pronto para chegar ao mercado", afirmou Daniely Leal.

    O caso ilustra um movimento que o ecossistema amazônico tenta consolidar: transformar biodiversidade e resíduo agrícola em ativo industrial com validação científica, em vez de exportar matéria-prima bruta. O cacau, cultivado em larga escala na região, gera volumes expressivos de polpa e casca que raramente encontram destino econômico.

    Atualmente em fase de conclusão do doutorado, a fundadora divide a rotina entre a coordenação acadêmica e a estruturação comercial da Autris. A empresa projeta a entrada do produto no mercado de cuidados pessoais, combinando pesquisa científica com o aproveitamento de resíduos agrícolas da região Norte.


    Fonte original: Startupi

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