A empresa de cibersegurança nascida da fusão entre a GC Security e a área de cyber da Falconi levantou R$ 8 milhões com um investidor privado para acelerar tecnologia proprietária e ampliar a fatia de receita recorrente no negócio.
A Vultus concluiu uma captação de R$ 8 milhões para financiar a virada de um modelo baseado em horas de consultoria para outro sustentado por produtos de software. A companhia não revelou o nome do investidor, informando apenas tratar-se de um investidor privado.
A operação vem acompanhada de uma reestruturação societária e da recomposição do Conselho de Administração e do Conselho Consultivo, segundo comunicado enviado ao portal Startups.
A empresa nasceu no segundo semestre de 2024 da união entre a GC Security, especializada em testes de intrusão e inteligência de ameaças, e a Trust Cybersecurity, área de cibersegurança estruturada dentro da Falconi a partir de 2020. As duas operavam em paralelo até passarem a atuar sob marca única. À época, a companhia projetava faturar R$ 100 milhões, já com carteira formada e cerca de 200 projetos executados.
Entre os clientes citados publicamente estão Unidas, Arezzo e MV, com concentração nos setores financeiro, de telecomunicações e de serviços.
O gatilho veio do outro lado da linha
Segundo Alexandre Brum, CEO da Vultus, a decisão partiu da constatação de que a inteligência artificial não estava mudando apenas o lado da defesa. Ferramentas de automação passaram a permitir que criminosos procurem vulnerabilidades e avancem sobre sistemas com menos intervenção humana.
"A gente quase passou a ter um dilema existencial. A cibersegurança não poderia continuar sendo feita da forma como era feita até então", afirma o executivo. "Foi preciso ganhar escala na minha operação porque o atacante está ganhando escala também."
Brum sustenta que a consultoria não será abandonada. Ela segue como porta de entrada de clientes e como fonte do conhecimento técnico que alimenta as ferramentas. A diferença, diz, está em deixar de depender do número de especialistas disponíveis para definir o teto de crescimento da empresa.
Ares e Olympus
O principal ativo da nova fase é o Ares, plataforma de testes ofensivos contínuos com simulação autônoma de ciberataques. O cliente cadastra o ambiente que deseja avaliar e agentes de IA passam a procurar caminhos de entrada, falhas exploráveis e riscos reais — a mesma lógica de um teste de intrusão tradicional, porém com outra velocidade e com a capacidade de repetir o processo indefinidamente.
O Ares integra uma plataforma mais ampla, batizada de Olympus, que reúne os módulos de cibersegurança da companhia.
O ganho operacional é o argumento central da tese. "Se antes, para cada projeto que entrava, eu precisava de uma pessoa, hoje, para cada dez projetos, talvez eu precise de uma", afirma Brum. "A nossa capacidade de crescimento da operação, independentemente de capital humano, foi muito facilitada."
Com o aporte, a meta declarada é dobrar a receita em três anos, com aumento da participação de receitas recorrentes no faturamento total.
Fonte original: Startups



