A gestora brasileira BVC, criada pelo japonês Mitsuru Nakayama para conectar o ecossistema latino-americano ao Japão, está levantando seu terceiro fundo, com meta de US$ 8 milhões a US$ 9 milhões, e já coleciona saídas como Espresso e Cinnecta.
Em 2012, Mitsuru Nakayama desembarcou no Brasil sem falar português, mas com uma ideia clara: construir uma ponte de negócios entre a América Latina e o Japão. A escolha do país foi estratégica — havia uma grande comunidade japonesa, mas poucos profissionais fazendo essa conexão entre empresas dos dois mercados. Anos depois, o resultado foi a criação da gestora de venture capital BVC.
A ideia inicial não era montar um fundo. Ao chegar, Nakayama passou pouco mais de dois anos na consultoria Bain & Company, período em que estudou o ecossistema brasileiro de startups e identificou uma lacuna familiar: havia aceleradoras, mas poucos fundos dispostos a investir nas primeiras rodadas. A situação lembrava o Japão do início dos anos 2000, quando ele próprio buscava capital para a sua startup — que chegou a ser investida pelo Softbank.
Criada em 2014, a BVC atua principalmente no pré-Seed, priorizando negócios com tração inicial ainda na primeira rodada. A tese foca em startups B2B, especialmente fintechs e empresas de inteligência artificial aplicada a nichos verticais como varejo, recrutamento e concessionárias, em vez de modelos generalistas ou desenvolvedores de grandes modelos de linguagem.
O primeiro veículo nasceu experimental, com menos de US$ 1 milhão distribuídos em 12 startups brasileiras — entre elas a Conta Simples, na qual a gestora entrou antes mesmo da passagem da fintech pelo Y Combinator. O portfólio inclui dois exits de destaque: a Cinnecta, adquirida pela Matera em 2023, e a Espresso, comprada pela Sankhya em 2024. O desempenho permitiu levantar um segundo fundo, de US$ 5 milhões, no fim de 2020, quando a operação passou a investir em toda a América Latina.
Desde a criação, a BVC já aportou em cerca de 50 startups em seis países latino-americanos. Além da sede em São Paulo, mantém equipe na Colômbia, no Peru e no Japão. O terceiro fundo, ainda em captação, mira US$ 8 milhões a US$ 9 milhões, com cheques iniciais em torno de US$ 150 mil e possibilidade de follow-on nas empresas de melhor desempenho.
Para Nakayama, o retorno financeiro não é o maior atrativo para seus cotistas — em boa parte empreendedores japoneses. Conta mais o compartilhamento de informações e o acesso aos ecossistemas locais, cultivado em fóruns e viagens que aproximam founders dos dois lados. Outro diferencial, diz, é ajudar os fundadores a organizar o captable desde o início. Para ampliar o alcance, a gestora criou dois programas: o Open Call, chamada aberta a startups de toda a América Latina, e o Samurai, voltado a empreendedores seriais, com aportes de até US$ 1 milhão.
Fonte original: Startups.com.br — https://startups.com.br/dealflow/essa-gestora-de-venture-capital-quer-conectar-o-brasil-ao-japao/



