A Tractian anunciou nesta semana uma captação que foge do seu roteiro habitual. Em vez de uma rodada de equity, os R$ 120,1 milhões vieram de um financiamento do BNDES, destinado a desenvolver assistentes robóticos voltados à inspeção e à manutenção preditiva de máquinas dentro das fábricas. É o primeiro aporte por fomento público na história da companhia.
Segundo o comunicado conjunto da empresa e do banco, os recursos do programa BNDES Mais Inovação vão bancar uma solução que combina robótica avançada, sensoriamento de alta precisão e inteligência artificial para antecipar falhas em instalações industriais. O plano cobre desde a equipe própria de pesquisa até a compra de componentes e equipamentos.
O projeto tem execução prevista até junho de 2028 e deve resultar em um novo produto de inspeção industrial, além do depósito de 20 patentes de invenção. A Tractian também projeta contratar 421 novos funcionários já na fase de implantação, sendo 150 deles dedicados a pesquisa e desenvolvimento, com a intenção de manter os postos após o fim dos investimentos.
"O financiamento acelera uma linha de pesquisa que estamos construindo há anos: usar robótica, sensoriamento e IA para elevar o nível de proteção dos ativos mais críticos da indústria", afirmou Gabriel Lima, COO e cofundador da Tractian. Ele reforçou a aposta em fazer a tecnologia "com engenharia brasileira, e no Brasil".
O problema que a empresa mira é caro. Paradas não planejadas de máquinas custam às 500 maiores companhias do mundo o equivalente a 11% da receita anual — algo perto de US$ 1,4 trilhão, segundo estimativas do setor. É justamente essa conta que a manutenção preditiva busca reduzir, ao sinalizar a falha antes que ela pare a linha de produção.
Pelo lado do banco, o discurso foi de reforço à inovação nacional. "O financiamento vai contribuir com a realização de atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil", disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Fundada em 2019 por Gabriel Lima e Igor Marinelli, a Tractian vinha se financiando quase só com capital de risco. Sua última rodada de equity foi a Série C, de R$ 700 milhões, em dezembro de 2024, liderada pela americana Sapphire Ventures e que avaliou a empresa em R$ 4 bilhões. Ao todo, a companhia soma cerca de R$ 1,05 bilhão captados em quatro rodadas. Hoje, a startup atende mais de mil plantas de multinacionais como P&G, Unilever, Nissan e Danone.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/inovacao/tractian-capta-r-120m-com-bndes-para-projeto-de-robotica/



