Lawtech fundada em 2024 recebeu R$ 295 mil da Smart Money Ventures, que se somam a R$ 235 mil captados anteriormente com o Insper Angels e o San Fran Angels.
O timeshifter, lawtech brasileira que usa inteligência artificial para automatizar o registro de horas trabalhadas por advogados, concluiu uma rodada pre-seed de R$ 530 mil. A Smart Money Ventures (SMV) liderou a rodada, com R$ 295 mil. O valor se soma a R$ 235 mil captados anteriormente com o Insper Angels e o San Fran Angels.
A rodada foi concluída em agosto.
Como funciona
Fundada em setembro de 2024 por Leonardo Bock e Henrique Labella, a startup desenvolveu uma plataforma que captura automaticamente as atividades feitas pelos profissionais no computador e usa IA para sugerir os lançamentos no timesheet. A proposta é reduzir o tempo gasto com o preenchimento manual e recuperar horas trabalhadas que acabam não sendo registradas nem faturadas pelos escritórios.
A ferramenta é integrada a sistemas usados pelos escritórios, como Outlook, Word e sistemas jurídicos de gestão e faturamento. A IA é treinada para ler e interpretar a maior parte do ecossistema jurídico brasileiro online, incluindo mais de 90 sites de tribunais. A empresa também desenvolve o preenchimento por áudio via WhatsApp.
Segundo a companhia, o timeshifter recupera e economiza, em média, de 7 a 10 horas por advogado a cada mês.
Horas que deixam de ser faturadas
Pesquisa da própria empresa com centenas de profissionais indica que um advogado gasta entre quatro e doze horas por mês apenas preenchendo timesheets. A American Bar Association (ABA), citada pela startup, aponta que atrasos e falhas no preenchimento tradicional podem fazer escritórios perderem de 10% a 50% das horas faturáveis e da receita associada.
Receita e base de clientes
A startup lançou sua nova versão, escalável, no primeiro semestre deste ano. Entre março e agosto de 2026, a base de advogados pagantes dobrou de tamanho quatro vezes consecutivas.
Segundo a empresa, agosto foi o mês de maior receita até agora, com faturamento 26 vezes maior que o de agosto de 2025, e o timeshifter já se aproxima do breakeven. A versão mais recente do produto registra zero churn entre os escritórios que migraram para a plataforma.
"O timeshifter se encaixa na nossa tese por ser um SaaS B2B com produto lançado, receita validada e clientes pagantes", afirma Rafael Stein, sócio da Smart Money Ventures.
Próximos passos
Os recursos serão direcionados principalmente à estruturação da expansão comercial e à evolução tecnológica da plataforma. A empresa pretende ampliar integrações e incorporar formas de trabalho hoje mais difíceis de registrar, como reuniões presenciais e interações pelo WhatsApp.
O mercado inicial são escritórios brasileiros com mais de 10 advogados que já trabalham com timesheet, especialmente os que cobram honorários por hora. Segundo a companhia, mais de 60 mil advogados já usam esse modelo de controle de horas, e cerca de 100 mil bacharéis se formam por ano no Brasil.
No longo prazo, a estratégia é levar a tecnologia a outras atividades em que o tempo é variável importante de produtividade e faturamento, como consultoria e contabilidade. "A discussão começa com o timesheet dos advogados, mas o mercado de gestão de tempo e produtividade é muito maior", diz Stein.
Fonte original: timeshifter (comunicado à imprensa)



