A Solinftec, agtech brasileira referência global em inteligência artificial e robótica aplicadas à agricultura, fechou rodada Série D de R$ 300 milhões liderada pela YvY Capital, gestora de private equity comandada por Paulo Guedes. A operação foi conduzida em parceria com a Rise | Life-Centered Investments, voltada para investimentos em transição climática, e marca o maior cheque de equity em uma startup latino-americana em maio de 2026.
Com a nova rodada, a companhia ultrapassa a marca de R$ 1,3 bilhão em captações ao longo de sua história, consolidando-se como uma das agtechs mais bem capitalizadas do país. Do total da Série D, R$ 250 milhões já foram recebidos, e o restante está previsto para entrar no primeiro trimestre. Os recursos serão usados para acelerar a transformação digital do agronegócio e o plano de expansão nacional e internacional da empresa.
Fundada em 2007, em Araçatuba (SP), por engenheiros de automação cubanos, a Solinftec hoje conta com mais de 800 funcionários globalmente, sendo cerca de 330 dedicados à área de pesquisa e desenvolvimento. A operação combina sensores embarcados, conectividade rural, algoritmos de visão computacional e modelos de aprendizado de máquina para o gerenciamento de grandes lavouras de cana, soja, milho, algodão e café.
O carro-chefe da expansão é o Solix, robô autônomo movido a energia solar gerada pelos próprios painéis acoplados ao equipamento. Guiado por IA, o Solix percorre as lavouras e utiliza visão computacional para identificar pragas, plantas daninhas e doenças, executando aplicações localizadas e em tempo real. A empresa projeta colocar cerca de 700 unidades do robô em campo até o fim de 2026.
A entrada da YvY Capital reforça a tese de descarbonização do agro como vetor de retorno financeiro. A gestora atua com foco em segurança alimentar sustentável, transição energética e economia de baixo carbono, e enxerga na Solinftec uma plataforma para escalar tecnologias de redução de insumos químicos e de pegada de carbono no campo. A Rise complementa o cap table com o mesmo viés de impacto climático.
O aporte ocorre em um mês em que o ecossistema latino-americano movimentou US$ 197 milhões em rodadas de startups, segundo levantamento publicado pela Bloomberg Línea. O Brasil concentrou 73% do volume, com a Solinftec respondendo pelo maior cheque do período em equity.



