Liderada por JP Galvão, Adriano Marques e Fernando Lamounier, a startup criou uma solução proprietária e patenteada para viabilizar o produto em um mercado em que o consórcio é praticamente inexistente. A base inicial de clientes vem do público brasileiro e latino-americano residente nos EUA, já familiarizado com o conceito. Atualmente, a companhia tem mais de 100 clientes ativos, 41 revendedores credenciados e quatro contemplações realizadas.
Hoje, a Savings.Club opera apenas no segmento automotivo, com grupos de crédito entre US$ 20 mil e US$ 40 mil. A operação está restrita aos estados do Texas, Flórida, Massachusetts e Connecticut. A próxima frente é a de imóveis comerciais, com créditos a partir de US$ 200 mil e atuação em todo o território americano, sem as restrições estaduais que limitam o produto automotivo. "Quando a gente entra em imóveis, já sobe uma escala relevante, e a diferença de valor em relação ao financiamento é ainda maior", afirma Adriano.
Com a combinação da expansão para imóveis, a entrada em novos estados e o crescimento da rede de revendedores, a fintech projeta atingir US$ 1 bilhão em contratos em cerca de um ano. "Não estamos jogando números para o alto. São números absolutamente factíveis e que fazem parte do nosso pipeline", afirma JP Galvão, CEO da empresa.
A ideia da Savings.Club nasceu da observação de Galvão, que já vivia nos EUA e era sócio de uma empresa de assinatura de carros de luxo em três estados. Com a alta dos juros americanos, ele viu a taxa de rejeição em financiamentos de carro saltar de 4% a 6% no período pré-pandemia para cerca de 25%. Para estruturar o produto, contou com a consultoria de Luiz Otávio Matias, ex-vice-presidente do Itaú e fundador do Itaú Consórcio.
A construção do modelo exigiu adaptações relevantes. No Brasil, a contemplação ocorre via lance ou sorteio, este último amparado pela Loteria Federal. Nos EUA, loterias são ilegais em quase todos os estados e os lances dependem de licença específica que varia por região, o que inviabiliza a escala nacional. A saída foi criar um sistema proprietário de seleção baseado em risco, protegido por três patentes pendentes.
A fintech também conversa com grandes administradoras e bancos americanos interessados em entrar no segmento. "O que posso dizer é que essas conversas existem. Não só com administradoras, mas também com bancos. Acreditamos que estamos criando infraestrutura de negócio para os EUA, e é importante que todos esses players tenham acesso a isso", destaca JP. Fernando Lamounier, sócio da administradora brasileira Multimarcas e formado em Yale, entrou primeiro como investidor antes de assumir o papel de CRO da operação.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/fintech/fintech-fundada-por-brasileiros-quer-emplacar-consorcio-nos-eua/



