A gestora especializada em software B2B levantou o maior fundo de sua história, três vezes maior que o veículo de 2022, com a Spectra aportando US$ 7 milhões e a entrada de fundadores como Marcelo Lombardo, da Omie, e João Pedro Resende, da Hotmart.
A SaaSholic concluiu a captação de seu terceiro fundo, no valor de US$ 30 milhões. É o maior veículo já levantado pela gestora, que investe em startups brasileiras e latino-americanas de software desde 2019.
O salto de tamanho é expressivo. O Fundo I, lançado em 2019, teve US$ 1,5 milhão. O Fundo II, de 2022, chegou a US$ 10 milhões. O novo veículo, portanto, é três vezes maior que o antecessor imediato.
A tese central permanece a mesma: empresas B2B de software em estágio Seed, com possibilidade de aportes em pré-Seed. Os cheques de entrada passam a ficar entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão, acima do padrão praticado no fundo anterior, e há uma reserva maior para acompanhar as investidas em rodadas subsequentes, como Série A.
Portfólio concentrado e liderança de rodadas
A gestora pretende montar um portfólio enxuto, com cerca de 15 startups ao longo de quatro anos. Desde o Fundo II, a casa também busca liderar as rodadas, definindo termos e apoiando os fundadores no processo de captação.
A sociedade é formada por William Cordeiro, Diego Gomes — cofundador da Rock Content — e Gustavo Souza, especializado em vendas de software e estratégias de go-to-market. Cada sócio deve acompanhar cerca de cinco empresas.
"A conta vai ser assim: um, no máximo dois investimentos por ano por sócio. A gente gosta de ter um acompanhamento semanal com os empreendedores", afirmou Cordeiro em entrevista ao Startups.
Novos cotistas
O Fundo III marca a entrada de investidores institucionais relevantes. A Spectra aportou US$ 7 milhões e a Evertec também entrou no veículo. Somam-se a eles empreendedores do mercado de tecnologia, como Marcelo Lombardo (Omie), Pedro Conrade (Neon), João Pedro Resende (Hotmart) e Rodrigo Cartacho (Sympla).
A tese do "homem do futuro"
O novo fundo aprofunda uma estratégia que a gestora chama de "homem do futuro": identificar empreendedores que já viram uma transformação acontecer em um mercado e conseguem levar esse conhecimento para outro.
Historicamente, o fluxo de replicação de modelos partia dos Estados Unidos para a América Latina. A SaaSholic quer explorar o caminho inverso — exportar soluções construídas na região para mercados mais maduros. Entre 30% e 40% do capital do Fundo III deve ir para essa frente internacional; o restante segue concentrado em empresas brasileiras.
Casos anteriores do portfólio ilustram a lógica. A Conta Simples, focada em serviços financeiros para pequenas e médias empresas no Brasil, serviu de referência para o aporte na colombiana Mono. Já a Clad nasceu para levar aos Estados Unidos um modelo desenvolvido no Brasil para inadimplência no setor educacional.
Gestora AI-native
A SaaSholic reconstruiu internamente seu stack de tecnologia, incluindo CRM e ferramentas de monitoramento do portfólio, e passou a usar agentes de inteligência artificial para enriquecer oportunidades e mapear empresas alinhadas à tese.
Segundo Cordeiro, a capacidade de cobertura saltou mais de cinco vezes em um trimestre — de cerca de 100 companhias analisadas para aproximadamente 470. A avaliação final, ressalta o sócio, continua sendo feita pelo time.
Fonte original: Startups



