O grupo que controla iFood, OLX e Sympla no Brasil lidera a primeira rodada institucional da Navi, quarto maior aplicativo de pagamentos do sistema UPI, o equivalente indiano ao Pix.
A Prosus anunciou um aporte de US$ 100 milhões na fintech indiana Navi. A operação é a primeira captação institucional da empresa e avalia o negócio em cerca de US$ 1,3 bilhão.
O nome da investidora é conhecido no Brasil. A Prosus, braço de investimentos de origem sul-africana listado na Holanda, controla o iFood, a OLX Brasil e a Sympla, e construiu ao longo da última década uma das maiores carteiras de tecnologia entre os grupos estrangeiros que operam no país.
A Navi foi fundada em 2018 por Sachin Bansal, cofundador do Flipkart — o marketplace indiano comprado pelo Walmart. Desde então, Bansal havia bancado a operação com capital próprio, sem abrir espaço para fundos. O cheque da Prosus quebra esse modelo e marca a entrada de um sócio institucional no capital.
O ativo central da fintech é a distribuição. A Navi é o quarto maior aplicativo de pagamentos dentro da UPI, a infraestrutura de transferências instantâneas da Índia que cumpre função semelhante à do Pix no Brasil. A companhia também opera crédito pessoal, seguros e produtos de investimento na mesma plataforma.
A tese se apoia na escala do sistema indiano. A UPI processa bilhões de transações por mês e criou uma camada pública de pagamentos sobre a qual dezenas de fintechs montaram operações de crédito e serviços financeiros — um roteiro que guarda paralelos diretos com o que o Pix habilitou no mercado brasileiro desde 2020.
A transação ainda depende de aprovação da Competition Commission of India, o órgão antitruste do país. Não há prazo divulgado para a conclusão da análise.
O movimento também sinaliza como a Prosus vem realocando capital. O grupo tem concentrado apostas em plataformas de consumo e serviços financeiros em mercados emergentes de alta densidade populacional, o mesmo racional que sustentou a consolidação do iFood no Brasil. Na prática, a Índia entra no portfólio pela porta dos pagamentos, com um ativo já posicionado dentro da infraestrutura pública do país.
Para o ecossistema brasileiro, o aporte serve como termômetro. Fintechs que operam sobre trilhos públicos de pagamento — caso de boa parte das startups nascidas depois do Pix — passam a ter um comparável internacional recente de valuation, em uma janela em que rodadas de tamanho semelhante ficaram mais raras.
Nem a Prosus nem a Navi detalharam a destinação dos recursos.
Fonte original: Startups.com.br



