A startup fundada em 2025 por três ex-alunos de Harvard e Penn levantou US$ 12 milhões em uma das maiores rodadas seed já registradas no setor de inteligência artificial da região. O dinheiro vai ampliar o número de agentes implantados nos clientes e sustentar a expansão a partir de Cidade do México, Madri e Bogotá.
A Primero anunciou a captação de R$ 62 milhões, cerca de US$ 12 milhões, em rodada seed co-liderada por Kaszek e General Catalyst. Participaram também Definition, Conviction e 8VC, além de investidores-anjo ligados a FEMSA, Bimbo, Aeroméxico e Kimberly-Clark de México. O tamanho do cheque chama atenção pelo estágio: trata-se de um dos maiores aportes iniciais já feitos em uma empresa de inteligência artificial na América Latina.
Fundada em 2025, a companhia vende uma camada de software que costura sistemas corporativos que normalmente não conversam entre si — ERPs, CRMs, planilhas e plataformas de gestão de armazéns. Sobre essa integração, a Primero implanta agentes de IA capazes de executar processos internos, como conciliação de faturas, contas a pagar e análise de deduções financeiras.
O negócio nasceu de um diagnóstico específico. Segundo José Murillo, co-CEO e cofundador, o obstáculo à adoção corporativa de IA não está no modelo, e sim no contexto. As empresas, afirma o executivo, não conseguem implantar agentes que entendam o próprio negócio porque os dados críticos estão espalhados por sistemas isolados.
A operação se organiza em três camadas: conectar os sistemas fragmentados, funcionar como repositório central de dados e regras de negócio que costumam existir apenas na memória dos funcionários, e ligar os agentes a essa base. Murillo descreve um efeito cumulativo nessa arquitetura — cada agente lançado reúne contexto que barateia a implementação seguinte.
Murillo cresceu na Cidade do México e estudou Economia e Ciência da Computação em Harvard. Antes da Primero, criou uma startup de e-commerce na Colômbia. Fundou a atual empresa há cerca de um ano e meio ao lado de Andrés Rosales e Santiago Buenahora, com passagens por Meta, 8VC e Robinhood. Metade da equipe de engenharia, segundo o fundador, representou seus países em olimpíadas internacionais de informática e matemática ou no ICPC.
A disputa é direta com consultorias tradicionais e com fornecedores globais de software que desembarcaram na região oferecendo implementação de IA. O argumento comercial da Primero ataca a percepção de que licenças corporativas de plataformas genéricas resolvem o problema — para o fundador, rodar conciliação de faturas em um assistente de uso geral simplesmente não funciona.
Hoje a startup mantém operações em Cidade do México, Madri e Bogotá, e atende clientes como Kimberly-Clark de México, a operação mexicana da Smart Fit, Verde Valle, Sede Café e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Cidade do México. Boa parte da carteira é formada por empresas familiares latino-americanas sob gestão de uma geração mais jovem.
O Brasil aparece no radar, mas ainda sem plano detalhado. A Smart Fit, cliente no México, é brasileira, e a companhia avalia estender a parceria. O tamanho do prêmio ajuda a explicar o interesse: pesquisa do Reglab estima que a inteligência artificial pode adicionar R$ 986,7 bilhões à economia brasileira até 2030.
Fonte original: Startups
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