A informação foi publicada primeiro pelo Startups.com.br, em reportagem de Leandro Miguel Souza.
O Portal de Compras Públicas, govtech que conecta compradores públicos a fornecedores em licitações, entrou em uma nova fase de monetização. Depois de construir uma base que movimenta R$ 530 bilhões por ano, a empresa lançou um marketplace de crédito para antecipar recebíveis junto aos seus mais de 700 mil fornecedores cadastrados.
A plataforma já está presente em mais de 80% dos municípios brasileiros e responde por pouco mais de 10% do volume financeiro de compras públicas do país, atrás apenas do Comprasgov, a plataforma federal. Descontada a fatia do governo federal, o Portal detém mais de 25% do mercado atingível. Em três anos, o volume transacionado cresceu mais de cinco vezes e o faturamento aumentou quase 250%.
O desafio, segundo o fundador e CEO Leonardo Ladeira, é que a receita ainda é uma fração pequena do volume movimentado, já que entes públicos não pagam pelo uso da plataforma. "Quem tem que pagar essa conta é quem quer fazer dinheiro com a operação, não o ente público", afirma o executivo, conforme publicado pelo Startups.com.br.
A aposta principal é o crédito. A ideia é usar o recebível garantido que o fornecedor tem contra o órgão público como lastro para antecipação — um ativo que os bancos historicamente evitam, mas que, uma vez entregue e validado, tem alto grau de certeza. Muitos compradores públicos levam 90 dias ou mais para pagar, e há fornecedores que deixam de disputar licitações por falta de capital de giro.
Em vez de virar fintech, a govtech quer embutir um marketplace de crédito dentro da plataforma. O piloto roda com o FIDC da Cedro Capital, fundo que investiu na empresa em 2019, e o plano é abrir para outros fundos, aumentando a concorrência e reduzindo a taxa paga pelo fornecedor. A projeção é atuar sobre 9% a 10% do volume geral de vendas. "Nesse volume, a gente mais do que dobra o nosso faturamento", diz Ladeira.
A empresa também lançou a "compra expressa", viabilizada por mudança na legislação no fim do ano passado. No modelo, fornecedores alimentam um catálogo com preços pré-definidos, a plataforma cota a logística automaticamente com sete ferramentas de frete integradas e, pela primeira vez, garante o pagamento via escrow em D+1 ou D+30. A expectativa é que o formato responda por ao menos 5% do volume da plataforma em 12 meses.
Fonte: Com R$ 530B em TPV, govtech aposta em crédito para escalar receita, Startups.com.br, 01/07/2026.
Nota da redação: matéria atualizada em 29/09/2026 para incluir o crédito ao Startups.com.br.



