A femtech Plinq, que permite consultar antecedentes criminais de pretendentes amorosos, fechou sua primeira rodada de investimento, de R$ 1,3 milhão, liderada pela Spectra Investments. Os recursos vão financiar o lançamento do aplicativo, previsto para o início de setembro.
Fundada em meados de 2025, a Plinq nasceu de uma dor concreta. A empresa foi criada após um caso de feminicídio que expôs a dificuldade de acesso a informações públicas: o autor do crime, ex-namorado da vítima, respondia a pelo menos 14 processos por violência doméstica, histórico que ela desconhecia durante o relacionamento.
A partir daí, a fundadora e CEO Sabrine Matos estruturou uma plataforma web que reúne antecedentes criminais e processos judiciais disponíveis em bases públicas, como tribunais de Justiça e diários oficiais. Para fazer a consulta, a usuária informa nome e telefone da pessoa, e o sistema cruza esses dados com registros públicos e devolve um relatório. A primeira versão foi ao ar em apenas 45 dias.
A rodada foi liderada pela Spectra Investments e contou com investidores-anjo como Anton Osika, cofundador e CEO da Lovable; Liana Selles, cofundadora da Ella Wealth; Fernando Montero, fundador e CEO da Doji; e José Gerardo Carrero, ex-diretor de TI da P&G. O aporte foi anunciado em 7 de agosto de 2026, data em que a Lei Maria da Penha completou 20 anos.
Os números da própria startup mostram por que o tema segue urgente. Segundo a Plinq, 10% dos alertas de risco identificados pela plataforma estão ligados a registros de violência doméstica. Entre eles, foram contabilizadas 433 menções a medidas protetivas, 219 referências a violência doméstica, 161 registros diretamente relacionados a violência contra mulheres e 144 citações à Lei Maria da Penha.
O aporte marca uma virada de modelo. Com o novo aplicativo, a empresa deixará de vender consultas avulsas pelo site e passará a operar por assinatura mensal. Quem já é cliente da versão web poderá seguir usando o serviço por até um ano. O app será exclusivo para mulheres e terá mecanismos de verificação, como reconhecimento facial, para barrar o acesso de homens. A receita ainda deve incluir publicidade voltada a marcas com público feminino e contratos com governos estaduais.
A meta é ambiciosa: alcançar 1 milhão de usuárias ativas nos primeiros seis meses após o lançamento. A projeção se apoia na tração da plataforma web, que atraiu 3 mil usuárias no primeiro dia, ultrapassou 60 mil em um ano de operação e registrou quase 85 mil pesquisas realizadas.
Para 2027, a empresa planeja um pilar comunitário, com alertas entre usuárias próximas em situação de risco, e uma expansão internacional focada inicialmente em brasileiras que vivem fora do país.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/plinq-capta-r-13m-para-lancar-app-de-seguranca-para-mulheres/



