A Pax operou em modo discreto desde o lançamento, em abril de 2025, e agora aparece com força no radar do venture capital global. A rodada foi liderada por duas das gestoras mais respeitadas do Vale do Silício: a Greenoaks, que administra cerca de US$ 18 bilhões em ativos e co-liderou recentemente o aporte de US$ 65 bilhões na Anthropic, e a Benchmark, com fundo principal de US$ 425 milhões e cheques históricos em Uber, eBay, Twitter e Instagram.
A plataforma da Pax usa IA generativa para unificar dados que, hoje, vivem em silos dentro das forças de segurança pública. O sistema combina imagens de câmeras de monitoramento, mandados de prisão, boletins de ocorrência e bases de dados públicas em uma interface conversacional, que funciona como uma espécie de assistente digital para investigadores. O agente responde dúvidas, formula hipóteses e organiza evidências em tempo real.
Os números do primeiro deployment em larga escala chamaram a atenção dos investidores estrangeiros. Em Luziânia, em Goiás, mais de 100 câmeras passaram a alimentar a plataforma. Em seis meses, os crimes violentos caíram 27%, a eficiência policial dobrou e a percepção de segurança subiu 59%. Ao todo, as forças que adotaram a Pax já resolveram mais de 2 mil casos criminais em mais de 30 cidades, em três estados do Centro-Sul.
A tese encontrou um país em alerta. Segurança pública aparece como uma das maiores preocupações da população em ano pré-eleitoral, e o Brasil gasta mais de R$ 150 bilhões por ano no setor, o equivalente a 1,3% do PIB. Os fundadores miram justamente essa combinação de problema agudo, infraestrutura defasada e orçamento robusto.
Com cerca de 60 colaboradores, a startup pretende usar o capital para acelerar a expansão regional, contratar engenheiros de IA e ampliar a integração com bases governamentais. A Pax também avalia novas frentes de produto, incluindo módulos preditivos para policiamento ostensivo e investigação digital.
A rodada coloca a Pax na mesma estante de startups latino-americanas que captaram cheques semente acima de US$ 30 milhões em estágio inicial — categoria rara no continente e historicamente reservada a empresas de IA de fronteira. Para o ecossistema brasileiro, o aporte sinaliza que o capital internacional voltou a olhar para teses verticais com forte apelo público.
Fonte original: Exame — https://exame.com/inteligencia-artificial/startup-de-ia-para-seguranca-publica-capta-us-40-milhoes-na-maior-rodada-seed-do-brasil/


