A Passabot, startup brasileira que opera uma agência de viagens conversacional end-to-end diretamente no WhatsApp, anunciou a conclusão de uma rodada de investimento anjo no valor de R$ 1,2 milhão, finalizada em 14 de janeiro de 2026. A operação avaliou a empresa em R$ 15 milhões e contou com a participação de investidores-anjo estratégicos, incluindo executivos e empreendedores dos setores de tecnologia, investimentos, aviação e turismo.
Entre os grupos confirmados estão Insper Angels e ITA Angels, que juntos representam cerca de R$ 300 mil da rodada. Parte dos investidores optou por não divulgar publicamente nomes e valores. A captação foi estruturada de forma distribuída, sem um investidor líder formal.
Fundada por Alan Barbosa (CEO), Fernando (CTO) e Leonardo Piana (CFO), a Passabot vem apresentando crescimento médio de aproximadamente 35% ao mês em volume e receita desde setembro. O valuation considerou a tração já alcançada, a tecnologia proprietária desenvolvida internamente (considerada complexa e difícil de replicar) e a validação do modelo frente ao mercado, inclusive em comparação a iniciativas de grandes players do setor.

A startup já soma mais de 20 mil usuários, com mais de 800 clientes pagantes e cerca de 2 mil passagens emitidas até o momento. O modelo de negócio é B2C, baseado em take rate e spread: a empresa acessa inventário B2B com tarifas exclusivas, aplica uma margem inteligente e realiza a venda diretamente pelo WhatsApp, garantindo preços competitivos e captura de valor por transação.
Com os recursos, a Passabot pretende acelerar o desenvolvimento do produto e da tecnologia, ampliar o time (hoje com 12 pessoas) especialmente em engenharia, produto e comercial, além de investir em distribuição e marketing para sustentar o crescimento da operação. A empresa também planeja fortalecer acordos com grandes stakeholders do turismo.
O principal diferencial competitivo da Passabot está na experiência conversacional integrada: IA, automação e suporte humano operam no mesmo canal, eliminando fricções comuns a sites tradicionais e permitindo escala superior às agências físicas. Em um setor altamente regulado e operacionalmente complexo, a startup foi construída desde o início para integrar sistemas, consolidadoras e regras do mercado, enquanto simplifica a jornada para o usuário final.
A trajetória dos fundadores está diretamente ligada ao ambiente acadêmico do Insper, onde dois deles se formaram como bolsistas. Segundo a empresa, a comunidade empreendedora, o apoio do Centro de Empreendedorismo (CEMP) e o acesso a redes de mentoria foram determinantes para decisões estratégicas ao longo do caminho. A origem humilde dos fundadores também moldou a construção do negócio, priorizando sustentabilidade desde o início. O propósito inicial da Passabot, inclusive, era ajudar bolsistas a viajar para visitar suas famílias.
Programas como o WhatsApp AI Startups Hub e o Campus Mobile tiveram papel relevante na validação da tese de turismo conversacional, no acesso antecipado a recursos da Meta e no aumento de credibilidade junto a parceiros e investidores.
Para 2026, a Passabot mira acelerar crescimento, consolidar sua posição no turismo conversacional e escalar receita recorrente. Embora o Brasil seja o ponto de partida, a empresa já planeja expansão para mercados WhatsApp-first, como Índia, Indonésia e México, além do lançamento de novas funcionalidades baseadas em IA. Uma nova rodada de investimento não está descartada e será considerada de forma estratégica para destravar expansão.



