A fabricante de chips chegou a um acordo para adquirir a maior plataforma de código aberto em inteligência artificial do mundo. No início do ano, a mesma Hugging Face havia rejeitado um cheque de US$ 500 milhões da Nvidia por receio de ter um investidor dominante no captable.
A Nvidia chegou a um acordo para comprar a Hugging Face por US$ 12,9 bilhões, segundo apurou o site The Information. A operação encerra uma negociação que o mercado vinha antecipando havia dias e coloca a maior plataforma de modelos abertos do mundo sob controle da companhia mais valiosa do setor de semicondutores.
O desfecho tem um contraste evidente com o histórico recente entre as duas empresas. No início deste ano, a Hugging Face recusou um aporte de US$ 500 milhões da Nvidia que avaliaria a startup em US$ 7 bilhões. À época, a decisão foi atribuída ao receio de ter um investidor com poder de influenciar as decisões da companhia. A Nvidia já era acionista da startup desde a rodada de 2023.
Na segunda-feira (24), o Business Insider havia revelado que a Hugging Face conversava com bancos e potenciais compradores para avaliar ofertas que poderiam colocar a empresa em pelo menos US$ 13 bilhões. Até então, nenhum acordo estava formalizado.
O que a Nvidia compra
O interesse central da fabricante é defender seu domínio no mercado de chips para inteligência artificial. Google, Amazon, OpenAI e Anthropic desenvolvem processadores próprios para reduzir a dependência da companhia. Nesse cenário, um ecossistema robusto de IA de código aberto funciona como contrapeso: oferece alternativas aos modelos fechados das big techs e mantém empresas rodando sobre hardware da Nvidia.
A aquisição também representa um retorno ao mercado de computação em nuvem. Cerca de um ano atrás, a Nvidia reduziu a operação de sua própria plataforma, a DGX Cloud. A Hugging Face já permite que desenvolvedores rodem modelos usando capacidade computacional alugada, o que dá à compradora uma porta de entrada nesse mercado sem construir a operação do zero.
Há ainda um componente financeiro. Desde julho, a Nvidia mantém um programa que oferece garantias a provedores de nuvem menores, cobrindo parte dos custos de contratos de computação em troca de uma fatia da receita gerada. Quando os clientes desses provedores não consomem toda a capacidade contratada, a fabricante fica com o excedente. Ser dona da Hugging Face cria um canal para revender essa sobra.
Múltiplo elevado sobre uma receita pequena
Em faturamento, a Hugging Face ainda é pequena diante dos grandes nomes de IA. A companhia vinha registrando receita anualizada de cerca de US$ 150 milhões, acima dos US$ 100 milhões estimados apenas dois meses antes, segundo o The Information. O crescimento teria levado a empresa para perto da lucratividade.
Uma avaliação próxima de US$ 13 bilhões representa, portanto, um múltiplo alto para esse patamar de receita — sinal de que a tese da Nvidia é estratégica, não financeira.
O alinhamento entre as duas empresas vinha ficando público. O CEO Clem Delangue passou boa parte do ano defendendo os modelos de pesos abertos, em meio ao debate sobre restrições regulatórias, tema que ganhou força depois que laboratórios chineses passaram a entregar desempenho comparável ao dos líderes americanos a um custo bem menor.
Fonte original: Startups



/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/4/A/u3qChSRfqIZbSFvPEKDg/felipe-lourenco-e-bernardo-precht.jpg)