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    Estudo de brasileiros em Stanford aponta que só 7% das empresas usam IA no país

    O relatório AI Workforce Brasil, assinado por Bernardo Precht e Felipe Lourenço, mostra que o brasileiro se equipara aos Estados Unidos no uso individual de inteligência artificial, mas a adoção corporativa ainda engatinha. O gargalo, dizem os autores, não é técnico, e sim de liderança e desenho organizacional.

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    Redação

    21 de julho de 20262 min de leitura
    Estudo de brasileiros em Stanford aponta que só 7% das empresas usam IA no país

    A percepção de que o Brasil está muito atrás dos Estados Unidos na corrida da inteligência artificial acaba de ganhar um contraponto. Um novo estudo assinado por dois brasileiros em Stanford sustenta que, no uso individual da tecnologia, o país não está tão distante do padrão norte-americano. O desafio aparece quando essa fluência precisa migrar para dentro das empresas.

    A constatação vem do relatório AI Workforce Brasil, escrito por Bernardo Precht e Felipe Lourenço, ambos Sloan Fellows da Stanford Graduate School of Business. Os dois se conheceram na universidade depois de terem vendido suas startups para a Afya e hoje ajudam a organizar o Brazil at Silicon Valley.

    Os números expõem o descompasso. Segundo o levantamento, São Paulo concentra 540 mil profissionais de inteligência artificial, mas apenas 7% das empresas utilizam a tecnologia, a maioria delas com poucas aplicações práticas.

    Para os autores, a barreira não é de capacidade técnica. "Quando a gente olha do ponto de vista de adoção de IA individual, esse gap é muito menor do que parece", afirma Felipe Lourenço, em entrevista ao Startups. O obstáculo estaria no desenho corporativo e na ausência de uma liderança clara para conduzir a agenda de IA dentro das organizações.

    O relatório argumenta que a discussão empresarial se concentra na tecnologia em si e ignora comportamento, governança e estratégia de execução. Sem esse pacote, a inteligência artificial acaba tratada como custo, e não como fonte de eficiência.

    Há também um alerta geracional. A automação por IA tende a ameaçar as vagas de nível júnior, justamente as posições que historicamente formavam os profissionais mais experientes. O efeito, segundo o estudo, é a criação de um "piso de vidro" que dificulta a entrada da próxima geração no mercado.

    A saída apontada pelos pesquisadores passa pelas próprias empresas. Para eles, a responsabilidade de formar profissionais fluentes em IA deve ser corporativa, com ambientes de aprendizado contextualizados ao negócio, e não apenas individual.

    O recado final é direto: o Brasil já tem talento e uso individual de sobra, mas só vai transformar isso em produtividade quando as companhias assumirem a liderança da agenda de inteligência artificial.


    Fonte original: Startups.com.br — https://startups.com.br/negocios/inovacao/brasil-ja-e-fluente-em-ia-mas-as-empresas-nao-diz-estudo/

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