A rodada foi liderada por Amador Capital e Nascent, com participação de NXTP, Delusional Capital, Crivo Ventures e Spectra Investimentos. Para Amador, Nascent e Delusional, é a estreia no Brasil — e a tese é levar a plataforma de agentes de IA da startup para o resto da América Latina.
A Nuvia, empresa brasileira que desenvolve uma plataforma de inteligência artificial para operações de vendas e atendimento, captou US$ 1,8 milhão em rodada liderada por Amador Capital e Nascent. Completam a operação NXTP, Delusional Capital, Crivo Ventures e Spectra Investimentos.
O ponto menos usual da rodada está na origem do dinheiro: Amador Capital, Nascent e Delusional Capital fazem com a Nuvia seu primeiro investimento em uma companhia brasileira. Segundo os investidores, pesaram a plataforma construída a partir das necessidades de empresas latino-americanas, as aplicações já em produção e um time com histórico de escalar negócios.
A captação anterior havia sido feita em abril de 2024, no valor aproximado de US$ 1,7 milhão, liderada pela NXTP, com participação de Gilgamesh Ventures, LASP Capital, 16|16 Ventures e a16z Scout Fund.
"Chegamos a uma fase em que temos produto, clientes e resultados que mostram que esse modelo funciona. Agora, reunimos também o capital e as conexões necessárias para acelerar essa próxima etapa da Nuvia na América Latina", afirma John Paz, CEO e cofundador.
Uma camada única sobre a jornada do cliente
A plataforma conecta vendas, atendimento e relacionamento em uma só operação, combinando agentes de IA, automações e equipes humanas. Ela integra WhatsApp, web, Instagram, voz e e-mail, e se conecta a CRMs e outras ferramentas corporativas.
Os agentes são configurados conforme processos, regras, objetivos e bases de conhecimento de cada empresa, preservando o contexto entre canais e etapas da jornada — resposta à fragmentação que hoje separa marketing, vendas, atendimento e pós-venda em sistemas distintos.
"Estamos deixando de falar de bots que simplesmente respondem mensagens para construir operações em que pessoas e agentes de IA trabalham juntos para vender, atender e fidelizar clientes", diz Arthur Sorelli, CRO e cofundador.
Os números das operações
Na Lemon Energy, a automação vai da origem do lead à leitura da conta de energia: a operação dobrou a capacidade de atendimento, com cerca de 50% da etapa de qualificação automatizada.
Na Sami Saúde, aplicada à cotação e à contratação, a plataforma elevou em aproximadamente 60% o volume de cotações e em mais de 10% as conversões totais.
Já na Chocolat du Jour, foram cerca de 25 mil atendimentos em menos de oito dias durante a Páscoa, com 91% das conversas conduzidas pela IA. No período, a demanda pelo WhatsApp quintuplicou e a receita do canal dobrou.
"Sem a Nuvia, seria impossível conseguirmos atender com qualidade o pico de demanda, tanto para vendas quanto para o pós-venda", afirma Kika Chu, diretora comercial da Chocolat du Jour.
Para Antero Silva, CTO e cofundador, o gargalo da adoção corporativa de IA deixou de ser a tecnologia. "Muitas vezes, o problema não é a tecnologia em si, mas a ausência de processos bem desenhados antes de colocar a IA para funcionar", diz. Por isso, engenheiros da companhia acompanham a implementação até que os agentes atendam às regras de cada operação.
Com o novo capital, a Nuvia pretende evoluir a plataforma, ampliar o time e avançar sobre outros mercados da região.



