A fintech brasileira voltada à geração Z recebeu US$ 15 milhões em rodada liderada pela Blockchain Capital, fundo global especializado em infraestrutura financeira e ativos digitais. O aporte vai bancar o desenvolvimento de produtos em blockchain e stablecoins, sem tirar o crédito do centro da estratégia.
A NG.CASH anunciou a captação de US$ 15 milhões em uma rodada liderada pela Blockchain Capital. Com o cheque, o fundo americano passa a integrar um cap table que já reunia a16z, NEA, Quantum Light, Endeavor Catalyst, 17Sigma, Daphni e Monashees.
A companhia não classifica o aporte como uma série C nem como extensão da série B fechada no ano passado. Segundo Antônio Nakad, cofundador e CMO, trata-se de um movimento estratégico, e não de uma necessidade de caixa.
"É um aporte estratégico, uma oportunidade que surgiu com um investidor que ainda não tínhamos no captable. Não precisávamos do dinheiro, mas conseguimos abrir espaço para a entrada deste novo acionista", afirmou o executivo.
A negociação foi conduzida diretamente entre as duas partes, sem intermediação de banco ou assessoria financeira. A aproximação partiu do relacionamento que Mário Augusto Sá, CEO e cofundador da fintech, mantém com fundos internacionais mesmo fora de períodos de captação.
Janela regulatória abre espaço para cripto
O avanço regulatório pesou na decisão. Em fevereiro, o Banco Central regulamentou o mercado de ativos virtuais no Brasil, e o prazo de adequação às novas regras termina em 31 de outubro. A NG.CASH já obteve a licença de Provedor de Serviços de Ativos Virtuais (VASP) junto à autoridade monetária.
O foco, porém, recai sobre stablecoins, e não sobre a compra e venda de criptoativos como investimento. A leitura da companhia é que o Brasil é o maior mercado de criptoativos da América Latina e o quinto do mundo, com parcela relevante do volume concentrada em moedas estáveis.
Essa tese também sustenta um eventual salto regional no futuro, ainda que a internacionalização não esteja nos planos de curto prazo.
Crédito segue como prioridade
Apesar do novo capítulo, a prioridade estratégica continua sendo crédito. Em 2026, a fintech lançou o Pix Crédito, que integra crédito e pagamentos instantâneos, e o Crédito CLT, linha de consignado privado voltada a trabalhadores formais.
O movimento se apoia em licenças conquistadas antes: a de Instituição de Pagamento (IP) e a compra da Sociedade de Crédito Direto (SCD) da BizCapital, ambas concretizadas no ano passado.
A projeção é encerrar 2027 com R$ 1 bilhão em crédito originado. A NG.CASH afirma já ter movimentado mais de US$ 2 bilhões ao longo de sua trajetória.
A base de usuários dá a dimensão do crescimento: eram 7 milhões em meados de 2025 e hoje somam 10 milhões, em um país com cerca de 50 milhões de jovens.



