Espaço de mil metros quadrados entre a Faria Lima e Pinheiros é a nova aposta da gestora para chegar às empresas AI-first antes da rodada seed. O Google for Startups e a B3 entram como mantenedores âncoras.
A Monashees inaugurou a Gama House, hub voltado exclusivamente a negócios nativos de inteligência artificial, instalado no edifício Gabriel 1825, entre a Avenida Faria Lima e Pinheiros, em São Paulo. A casa foi estruturada como associação sem fins lucrativos e tem como mantenedores âncoras a própria gestora, o Google for Startups e a B3.
O espaço soma cerca de mil metros quadrados e abriga a musictech Moises e a nova sede da Monashees, que deixou a região da Avenida Berrini após duas décadas. Notion, Stripe, o escritório de advocacia BZCP e a Shiva — startup que captou US$ 10 milhões em rodada pré-seed liderada pela gestora — completam a lista de apoiadores iniciais.
A corrida contra o valuation
O movimento responde a uma mudança concreta na dinâmica do venture capital latino-americano: as empresas de IA mais promissoras da região passaram a atingir receita e visibilidade antes mesmo da rodada seed.
"O crescimento da receita e a visibilidade das startups mais vencedoras acontecem muito mais cedo, até antes do seed", afirmou Eric Acher, sócio e fundador da Monashees. "O nosso movimento todo com o Gama Fund, Gama House e, principalmente, com o Shiva, foi para garantir que tenhamos um first look bem no começo das empresas de AI-first para nos posicionarmos cedo, antes que os valuations fiquem naturalmente muito altos."
A Gama House é uma peça de um ecossistema maior. A gestora já havia anunciado o Gama Fund, veículo de US$ 10 milhões criado em parceria com o Google, que aportará US$ 2 milhões em cada uma de cinco startups de IA selecionadas. Em outubro, o Gama Summit acontece na Califórnia, onde a Monashees abriu escritório recentemente — a casa também opera no México.
O que cada parceiro coloca na mesa
O Google for Startups disponibilizará US$ 350 mil em créditos de nuvem para uso do Gemini e de soluções Google Cloud, além de suporte técnico aos fundadores residentes. O Google Cloud Challenge, programa de aceleração para fundadores AI-first, passa a ter a Gama House como residência fixa.
A B3 entra em um momento em que a bolsa brasileira busca reativar a janela de IPOs de empresas inovadoras e quer se aproximar do que nasce no ambiente de tecnologia. Nos próximos meses, o projeto deve ganhar um comitê estratégico com especialistas do setor.
A escolha por uma marca separada da gestora foi deliberada. Segundo Acher, a neutralidade do nome Gama permite atrair fundos locais e internacionais que dificilmente se reuniriam sob a bandeira de um concorrente.
A tese das três ondas
O nome faz referência à terceira letra do alfabeto grego e traduz a leitura da Monashees sobre a maturação do ecossistema. A primeira onda, no início do século, foi de infraestrutura e copycats. A segunda trouxe startups de classe mundial focadas em problemas regionais, como Nubank e 99. A terceira, impulsionada pela IA, é a das empresas globais desde o primeiro dia — caso das brasileiras Enter, Tractian e Moises.
Os valores investidos na estruturação da Gama House não foram revelados. A gestora não descarta levar o modelo a outros países da América Latina.
Fonte original: Startupi



