A francesa de inteligência artificial fechou uma Série D liderada pela Samsung Electronics, com BlackRock, ASML, Nvidia e o Grão-Ducado de Luxemburgo no captable, e projeta US$ 1 bilhão de receita recorrente anual até o fim de 2026.
A Mistral AI levantou € 3 bilhões, cerca de US$ 3,5 bilhões, em uma rodada Série D liderada pela Samsung Electronics. A companhia classificou o montante como a maior captação de equity já realizada por uma empresa privada de tecnologia na Europa. Com o aporte, o valuation passou de € 21 bilhões, aproximadamente US$ 24 bilhões.
A cifra praticamente dobra o valor da empresa, avaliada em € 11,7 bilhões em 2025, após uma Série C de € 1,7 bilhão liderada pela fabricante de equipamentos para semicondutores ASML.
Além da Samsung, participaram da operação o Scaleup Europe Fund, administrado pela EQT e apoiado pela União Europeia, e a PSG Equity, investidora já existente e uma das colíderes do aporte. Advent, fundos e contas administrados pela BlackRock e o Grão-Ducado de Luxemburgo entraram como novos investidores. Também acompanharam a rodada ASML, Nvidia, a16z, Bpifrance, BNP Paribas, Salesforce Ventures e General Catalyst.
A aposta na IA soberana
Fundada em 2023, a Mistral se tornou a principal aposta europeia para disputar um mercado global de IA dominado por companhias americanas como OpenAI e Anthropic, além de chinesas como a DeepSeek. No início do ano, o CEO e cofundador Arthur Mensch chegou a dizer em entrevista a um podcast que o maior diferencial competitivo da empresa era justamente "não ser americana".
O novo capital será destinado principalmente à expansão da capacidade computacional, ao treinamento de modelos mais avançados e à pesquisa de fronteira. A companhia também pretende ampliar sua infraestrutura e sua presença comercial internacional.
A estratégia se diferencia da adotada por boa parte das grandes empresas americanas ao apostar em modelos de pesos abertos. Na prática, isso permite que empresas e governos baixem os modelos, adaptem a tecnologia e a executem em sua própria infraestrutura, com maior controle sobre dados e aplicações.
"Durante a primeira onda da inteligência artificial generativa, a questão central era quem conseguiria construir o modelo mais poderoso. Agora, organizações e governos estão fazendo uma pergunta diferente: como aproveitar o poder da IA para suas necessidades críticas sem abrir mão do controle sobre a infraestrutura e o ciclo de inteligência", afirmou a companhia em comunicado ao mercado.
A distância ainda é grande
Apesar do avanço, a diferença de escala para as rivais americanas segue significativa. A Anthropic foi avaliada recentemente em cerca de US$ 965 bilhões, enquanto a OpenAI alcançou valuation de aproximadamente US$ 852 bilhões — números que colocam a Mistral em outra ordem de grandeza.
A empresa, porém, mostra tração comercial. São mais de 125 clientes corporativos em 20 países, incluindo Airbus, ASML e HSBC. O CFO Johan Bergqvist afirmou à Reuters que a companhia está a caminho de alcançar US$ 1 bilhão em receita recorrente anual até o fim de 2026, com crescimento especialmente forte na Ásia.
O posicionamento de IA soberana tende a ganhar tração em mercados que discutem dependência tecnológica — pauta que também avança no Brasil, onde iniciativas de modelos nacionais e de infraestrutura local de computação vêm ganhando espaço na agenda pública e privada.
Fonte original: Startups



