Fundada em 2023 por executivos com passagens por empresas como Hashdex, CleanSpark e ATL Data Centers, a Minter desenvolveu um modelo de negócio que transforma um problema do setor elétrico em oportunidade: o curtailment, ou seja, o corte de energia renovável excedente que não consegue ser absorvida pelo sistema.
A proposta da startup é instalar data centers móveis junto a usinas de energia renovável que sofrem com esses cortes. Os equipamentos absorvem a eletricidade que seria desperdiçada e a direcionam para a mineração de criptomoedas, principalmente Bitcoin. Por estarem no ponto de geração, os data centers podem ser desligados rapidamente quando há necessidade de injetar energia na rede.
O investimento do Itaú Ventures marca o terceiro aporte do braço de venture capital do banco, que vê na operação da Minter uma convergência entre infraestrutura digital, energia limpa e ativos digitais. Entre as possibilidades em estudo, o banco mencionou soluções de liquidação e custódia para os bitcoins minerados, além do acesso a ativos recém-minerados com origem certificada em energia renovável — conceito que executivos do setor têm chamado de "bitcoin clean", por não carregar histórico anterior de transações.
Com o novo capital, a Minter planeja ao menos dobrar sua capacidade contratada até o final de 2026 e alcançar 500 MW em três anos. A expansão internacional, com foco nos Estados Unidos, também está no radar. No mercado americano, a infraestrutura desenvolvida para mineração digital tem se integrado cada vez mais a data centers voltados para aplicações de alta performance computacional, incluindo treinamento de modelos de inteligência artificial.
O aporte reforça uma tendência crescente no ecossistema brasileiro: a convergência entre energia renovável, blockchain e infraestrutura de computação de alto desempenho, setores que vêm atraindo capital institucional de peso.
Fonte original: InfoMoney — https://www.infomoney.com.br/business/startups-itau-ventures-visa-mineracao-cripto-limpa-em-seu-3o-aporte/


