Fundada há apenas catorze meses no Chile, a legaltech fechou uma série A liderada pela britânica 6 Degrees Capital e coliderada pela mexicana Hi Ventures. A meta é chegar a 75 mil advogados cadastrados no Brasil até o fim de 2027 e transformar o país em seu principal mercado.
O mercado brasileiro de inteligência artificial jurídica ganhou mais um concorrente — e ele chegou com caixa novo. A Magnar anunciou o início da operação no Brasil apoiada por uma rodada série A de US$ 8 milhões, liderada pela britânica 6 Degrees Capital e coliderada pela mexicana Hi Ventures, com participação da Platanus e aportes minoritários de grandes escritórios de advocacia da América Latina.
A empresa é jovem até para os padrões do setor. Nasceu há catorze meses, fundada pelo CEO Andrés Arellano ao lado dos sócios Andrés Rodríguez e Nicolás Vergara, todos engenheiros de computação. O produto é uma plataforma agnóstica, que alterna modelos de OpenAI, Anthropic, Google e xAI sobre uma base de legislação e jurisprudência local que a própria companhia coleta, processa e indexa país por país — o que permite exibir a referência por trás de cada resposta.
Sobre essa base, a Magnar reuniu pesquisa, redação, comparação de documentos, assinatura eletrônica e gestão de contratos em uma única solução, integrada ao Word e ao Outlook. "Não oferecemos apenas um assistente de IA, estamos criando um sistema operacional. Toda ferramenta de que eles precisam já está integrada em uma única solução", afirma Arellano.
Escritórios como clientes e sócios
No primeiro ano de operação, concentrado em Peru, Colômbia e Chile, a startup somou mais de 400 clientes corporativos, mais de mil assinantes individuais pagantes e mais de 50 mil usuários ativos por mês. A base é deliberadamente concentrada: 75% são escritórios de advocacia e 25% são departamentos jurídicos internos e empresas.
A relação com os escritórios tem uma segunda camada. Os maiores clientes do Chile e do Peru pediram para investir na empresa depois de virarem usuários e hoje figuram como acionistas minoritários. A Magnar já convidou bancas brasileiras e mexicanas a repetir o movimento nesta série A — segundo o CEO, não por necessidade de capital, mas pelo efeito de aproximação.
Dados antes de gente
O aporte banca a entrada no Brasil e no México, com abertura de escritórios e contratação de times locais. A estrutura, porém, segue enxuta: a startup saiu de cinco para cerca de 25 pessoas em catorze meses e projeta no máximo dez profissionais no Brasil nos próximos doze meses, concentrados em vendas e suporte.
Boa parte do dinheiro não vai para folha, e sim para dados. Antes de operar em qualquer país, a companhia passa meses coletando milhões de documentos — legislação, jurisprudência e decisões —, processando o material com IA e indexando tudo. No caso brasileiro, o trabalho cobre o âmbito federal e cada estado.
As metas refletem essa cadência. O plano é alcançar 5 mil advogados cadastrados no Brasil até o fim de 2026 e 75 mil até o fim de 2027, com 220 mil usuários somados em todos os países. A expectativa da companhia é que o Brasil responda por cerca de 35% da base de usuários e da receita até o fim de 2027.
A concorrência explica a pressa. Nos últimos meses, a Enter levantou R$ 500 milhões e virou o primeiro unicórnio de IA da América Latina, a Inspira captou R$ 15 milhões com Vivo Ventures e Cloud9 Capital, e as americanas Harvey e Legora cruzaram a casa dos bilhões de dólares em valuation. "Não queremos passar mais um dia sem estar nesse mercado. Foi essa urgência que nos motivou a fechar essa rodada", diz Arellano.
Fonte original: Startups



