Fundada em 2019 por brasileiros e hoje com matriz em Toronto, no Canadá, a Linda desenvolveu uma plataforma de apoio ao diagnóstico precoce do câncer de mama. A tecnologia usa um dispositivo próprio que capta imagens infravermelhas da mama e as analisa por meio de inteligência artificial, identificando padrões térmicos suspeitos que indicam a necessidade de exames complementares. A proposta é atuar como exame adjunto à mamografia, e não substituí-la.
O aporte marca a primeira rodada institucional da companhia, que até então operava com recursos próprios, aportes de family and friends e rodadas bridge realizadas entre 2023 e 2025 com investidores do Canadá e dos Estados Unidos. Além da SkyRiver Ventures, focada em deeptech e healthtech, participaram investidores dos Estados Unidos, do Canadá e da Índia. O segundo maior cheque veio da Anges Québec, maior rede de investidores anjo do Canadá.
De acordo com Rubens Mendrone, CEO e fundador da Linda, a internacionalização foi determinante para o momento atual do negócio. Após enfrentar dificuldades de capitalização no Brasil durante a pandemia, especialmente entre 2020 e 2021, a startup transferiu sua matriz para o Canadá em 2023, movimento que, segundo ele, reposicionou estrategicamente a empresa. Hoje, a sede administrativa e o desenvolvimento de IA estão concentrados no Canadá, enquanto o Brasil funciona como base comercial e de clientes, único país onde a companhia já possui aprovação regulatória.
A tecnologia atende atualmente cerca de 4 milhões de mulheres nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Pernambuco, por meio de clínicas privadas, hospitais públicos, convênios e redes de farmácia, como o Grupo DPSP e a Rede Pró-Vida. O CEO destaca que o produto endereça um gargalo estrutural do sistema de saúde: segundo a empresa, cerca de 80% dos municípios brasileiros não têm cobertura de mamógrafos, ou dispõem de estrutura insuficiente para atender à demanda.
Com o novo capital, a Linda pretende acelerar a expansão na América do Norte, avançar em processos regulatórios internacionais e ampliar estudos clínicos, incluindo uma parceria com o centro de pesquisa Princess Margaret Cancer Centre. A partir da estrutura binacional, a healthtech já iniciou seu primeiro projeto na Suíça e planeja, no futuro, ampliar a presença na Europa.
Nascida de uma motivação pessoal dos fundadores, que tiveram experiências familiares marcadas pelo diagnóstico tardio da doença, a Linda entra agora em sua fase mais madura, apostando que dados térmicos e IA podem antecipar alertas onde a mamografia ainda não chega.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/rodada-de-investimento/healthtech-capta-r-10m-para-detectar-cancer-de-mama-com-ia/


