A edtech Leme, que atua 100% com o setor público, recebeu um aporte pré-seed de R$ 1,2 milhão da Potencia Ventures. É a primeira captação institucional da startup, que quer sair dos atuais cerca de 20 municípios atendidos para 100 até o final de 2027.
Fundada por Isaac Barbieri, Fernando Pinheiro e Thomaz Albuquerque, a Leme trabalha diretamente com secretarias municipais de educação. Hoje atende cidades de quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Sergipe. Segundo a empresa, já impactou mais de 100 mil alunos e capacitou mais de 2 mil educadores.
Depois de crescer 360% em 2025, a startup projeta expandir o faturamento em 600% em 2026. O dinheiro vai para o fortalecimento da equipe pedagógica consultiva, o aprimoramento da infraestrutura tecnológica e a expansão comercial para redes municipais de médio e grande porte.
A desigualdade que a média esconde
A plataforma da Leme diagnostica o nível de aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática com recorte por raça (pretos, pardos e indígenas) e nível socioeconômico. A partir do Mapa Pedagógico, a ferramenta organiza trilhas semanais de habilidades para os professores e fornece cadernos de exercícios direcionados, para recompor o aprendizado ao longo do ano letivo.
"Nosso país tem um problema de desigualdade de aprendizagem que permanece invisível quando olhamos apenas para as médias gerais", diz Isaac Barbieri, cofundador e CEO da Leme. Segundo ele, a escolha de atuar só no setor público desde o primeiro dia foi feita porque é lá que estão os estudantes que mais precisam.
No Brasil, cerca de 36,8 milhões de estudantes, o equivalente a 80% da educação básica, estão matriculados em escolas públicas.
Dinheiro extra para as prefeituras
A solução também mira o caixa dos municípios. Desde 2023, o governo federal premia prefeituras que promovem avanço educacional com equidade por meio do indicador VAAR (Valor Aluno Ano Resultado), do Fundeb. De acordo com a empresa, a atuação da Leme já ajudou a gerar R$ 70 milhões em recursos federais adicionais para 21 redes municipais.
Em Propriá (SE), a cidade recebeu o repasse pela primeira vez na história e reinvestiu R$ 1,1 milhão na educação local. Em Pilar do Sul (SP), a proficiência média da rede municipal cresceu 26% em quatro meses, com os maiores ganhos entre estudantes de menor renda (+29%) e alunos pretos, pardos e indígenas (+21%).
A plataforma registra mais de 90% de engajamento semanal recorrente entre os docentes das redes contratantes. A startup ficou no Top 5 do BNDES Garagem, na categoria negócio de impacto, e em 1º lugar na aceleração da Artemisia.
A tese do investidor
A Leme é a terceira investida do Potencia UP, programa da Potencia Ventures que apoia empreendedores de educação e futuro do trabalho em estágio inicial. Segundo Itali Collini, líder da Potencia Ventures no Brasil, a startup adicionou mais de 30 municípios ao seu pipeline de vendas em menos de dois meses durante a edição 2025 do programa.
"A startup combina rigor na análise de dados, foco na capacitação de professores para diminuir desigualdades de aprendizagem nas escolas públicas e uma execução exemplar no mercado B2G", afirma Itali.
Fundada em 2002 por Kelly Michel, a Potencia Ventures tem 24 startups ativas em portfólio e já investiu em 64 fundos ao redor do mundo.
Fonte original: Leme e Potencia Ventures (comunicado à imprensa)



