Fundada na Argentina, a Lebane desenvolveu um sistema de gestão apoiado por inteligência artificial que funciona como um assistente para o desenvolvimento imobiliário. Lançada em 2024, a plataforma centraliza o controle financeiro e operacional dos empreendimentos, automatiza processos intensivos em tempo e permite acompanhar o andamento das obras em tempo real, inclusive pelo WhatsApp.
A rodada foi liderada pelo Atlantico, fundo de origem brasileira focado em empresas de tecnologia na América Latina. Também participaram Zacua Ventures, Fen Ventures, ADN.vc e a Galicia Ventures, braço de venture capital do Banco Galicia, além de outros investidores da região e dos Estados Unidos.
A tese de investimento se apoia em um problema recorrente no setor imobiliário latino-americano: projetos de alto valor financeiro ainda operam com baixa digitalização e pouca visibilidade de dados. Segundo Lucas Glustman, CEO e cofundador da Lebane, há empresas gerenciando milhões de reais em planilhas de Excel, sem informação em tempo real do canteiro de obras. Nesse cenário, qualquer desvio vira perda de dinheiro, seja em impostos pagos fora do prazo, multas ou falta de material.
Para Ana Clara Martins, sócia do Atlantico, o que chamou a atenção do fundo foi o nível de product-market fit, com clientes relatando ganhos de produtividade, maior visibilidade financeira e disposição para pagar mais pelo produto. A executiva avalia que a combinação de um mercado grande e pouco atendido com um produto já validado posiciona a startup para se tornar a principal plataforma de software e infraestrutura financeira para o setor imobiliário na região.
Embora mantenha operações consolidadas na Argentina, a empresa direcionará o novo capital principalmente ao México, onde já possui entre 50 e 60 clientes e identificou o mesmo problema a ser resolvido. O mercado mexicano é maior que o argentino, o que amplia o potencial de escala. O Brasil aparece como próximo passo natural, sobretudo com um fundo brasileiro liderando a rodada, mas ainda não é prioridade.
O grande salto planejado, no entanto, é a entrada em serviços financeiros. A ambição é transformar a Lebane em uma espécie de banco para construtoras, com pagamentos, recebimentos, rendimento de saldo em conta e financiamento, da antecipação a fornecedores ao crédito ligado a contratos já assinados. A plataforma pretende usar os dados operacionais dos clientes para avaliar risco e criar um score próprio, aproveitando a visão em tempo real das obras.
Com os avanços, a meta é multiplicar o faturamento recorrente anual entre três e quatro vezes e elevar a retenção líquida em mais de 30%, mantendo a eficiência financeira da operação.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/rodada-de-investimento/proptech-lebane-capta-us-4m-e-avanca-em-produtos-financeiros/


