O braço de corporate venture capital do Itaú Unibanco participou da extensão da Série B de US$ 200 milhões da startup americana Simile, que usa inteligência artificial para simular comportamento humano. O banco era cliente da empresa antes de virar sócio.
O Itaú anunciou na terça-feira, 22 de setembro, um investimento na Simile, startup americana de inteligência artificial voltada à simulação de comportamento humano. O aporte foi feito pelo Itaú Ventures e entra como extensão da Série B de US$ 200 milhões anunciada em julho, liderada pela Greenoaks, que avaliou o negócio em US$ 2 bilhões. O valor aplicado pelo banco não foi divulgado.
A operação formaliza uma relação que já existia. O Itaú foi um dos primeiros clientes da Simile no mundo e o primeiro na América Latina, acompanhando a companhia desde os estágios iniciais em projetos de cocriação com diferentes áreas do banco.
Modelo fundacional simula populações e mercados
A Simile desenvolveu um modelo fundacional capaz de simular como populações, organizações e mercados reagiriam a diferentes cenários. A proposta é antecipar respostas de grupos humanos a decisões de produto, preço ou comunicação antes de colocá-las em prática.
A trajetória da startup foi rápida. A empresa saiu do stealth em fevereiro com uma Série A de US$ 100 milhões e fechou a Série B cinco meses depois, acumulando US$ 300 milhões captados em menos de um ano.
Para Carlos Eduardo Mazzei, CTO do Itaú Unibanco, o cheque está alinhado à estratégia AI First do banco, que combina tecnologia de ponta com a leitura das necessidades dos clientes.
"A Simile desenvolveu uma abordagem inovadora para modelar o comportamento humano e simular cenários complexos, uma capacidade com grande potencial para complementar nossa agenda de IA", afirmou o executivo, em nota.
Carteira ainda enxuta
A Simile entra em um portfólio em construção. Criado em 2019, o Itaú Ventures ganhou o formato atual no ano passado, quando o banco internalizou a gestão antes feita pela Kinea e passou a tocar o corporate venture capital dentro de casa.
Desde então, este é o quarto negócio fechado pelo veículo. O anterior foi em abril, quando o fundo liderou a Série A da Minter, startup que minera Bitcoin a partir de energia renovável excedente.
O mandato do Itaú Ventures mira startups em rodadas Série A e B, cobrindo serviços financeiros, infraestrutura, cibersegurança e inteligência artificial aplicada. O critério declarado é a sinergia com os negócios do banco, o que explica o padrão de investir em empresas cuja tecnologia já foi testada internamente.
O caso da Simile segue essa lógica: primeiro o contrato comercial, depois a participação societária.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/rodada-de-investimento/de-cliente-a-socia-itau-entra-em-rodada-da-gringa-simile/



