A antiga Meta gaúcha, rebatizada de Insi após acordo com a Meta norte-americana, reorganizou sua estrutura de inovação e lançou o CALL4TECH, chamada aberta que pode destinar até R$ 1,5 milhão por startup selecionada. As inscrições vão até 25 de setembro e o Pitch Day está marcado para 19 de outubro.
Depois de 35 anos usando o nome Meta, a companhia gaúcha de tecnologia firmou acordo com a Meta norte-americana em junho e passou a se chamar Insi. A troca, porém, veio acompanhada de uma reformulação mais profunda: a empresa criou uma diretoria de inovação e parcerias conectada ao comitê executivo, algo que não existia na estrutura anterior.
A nova diretoria alinha duas frentes. De um lado, a antiga Meta Ventures, agora Insi Ventures, responsável pela inovação aberta e pelos investimentos de Corporate Venture Capital. Do outro, o time de tecnologia interna que desenvolve plataformas, rebatizado de Labs.
Para tocar a estrutura, a companhia buscou executivos no mercado. Mário Lemos assumiu como Chief Product & Innovation Officer, com passagens por Accenture e Novartis, onde criou o hub de inovação da farmacêutica no Brasil, além de ter cofundado a startup Gennie. Andréia Dullius lidera a Insi Ventures, com mestrado em inovação pela UFRGS, passagem pelo Vale do Silício e período como diretora de inovação do governo gaúcho.
Do Bring Your SaaS ao CALL4TECH
O primeiro movimento prático da nova fase é o CALL4TECH, evolução do programa Bring Your SaaS, que chegou à quinta edição em 2025. Em cinco edições, a iniciativa avaliou mais de 500 startups e destinou R$ 10 milhões a investimentos.
A chamada mira três territórios: transformação do ciclo de vida de desenvolvimento de software, com agentes autônomos, copilotos e automação assistida; operações inteligentes para BPO, com resolução autônoma de demandas e monitoramento preditivo de riscos; e marketing, vendas e inteligência de mercado, com IA para prever churn e automatizar a esteira comercial.
As inscrições são gratuitas e seguem até 25 de setembro. Entre 6 e 10 startups serão selecionadas para o Pitch Day, marcado para 19 de outubro. Além de possíveis contratos de fornecimento, as selecionadas podem receber aportes de até R$ 1,5 milhão do veículo de CVC da Insi.
O foco está em empresas com produto validado, de estágio seed em diante. "Queremos startups que já tenham soluções prontas para escalar, para fazer provas de conceito e possivelmente serem investidas mais na frente", afirmou Lemos.
Portfólio e o próximo ciclo
A Insi Ventures tem hoje sete startups no portfólio, aportadas nos últimos três anos, com crescimento médio de 25% ao ano, além de mais de 35 contratos ativos com negócios de tecnologia. O caminho típico começa com uma prova de conceito paga, evolui para contrato de fornecimento e, quando há sinergia, termina em cheque.
Essa primeira safra está chegando ao fim, e a companhia já avalia saídas para retroalimentar o pipeline. Nos próximos meses, a gestora deve definir o tamanho do apetite e os estágios que vai mirar no novo ciclo. Aquisições não estão descartadas, assim como o corporate venture building, modelo já testado com a Netrin, startup de gestão de riscos nascida de um spin-off da própria empresa.
O movimento acontece na contramão de boa parte do mercado corporativo, que vem encolhendo ou desligando estruturas de CVC montadas na euforia de quatro ou cinco anos atrás. Para Lemos, a explicação está no descompasso de prazos. "Os CVCs falharam a partir do momento em que o ciclo de timing do negócio ficou muito curto em relação ao ciclo que tipicamente demora para amadurecer um investimento. São ciclos de cinco, sete anos, dependendo do negócio."
Fonte original: Startups



