Fundada por Arthur Alvarenga, Bernardo Reis e Raphael Capelão, a Hubla passou por uma transformação profunda nos últimos anos. De ferramenta para gestão de grupos pagos no Telegram e WhatsApp, a startup evoluiu para uma plataforma completa de infoprodutos voltada a criadores de conteúdo que buscam escalar seus negócios digitais.
A empresa levantou R$ 60 milhões em 2021, em rodada liderada por Kaszek, FJ Labs, Big_Bets e Kevin Efrusy. Desde então, optou por um período de desenvolvimento discreto — o que o CEO Arthur Alvarenga chama de "momento low profile" — no qual redesenhou completamente o produto antes de acelerar o crescimento comercial.
"A gente gosta de dividir muito claramente o momento de escala e o momento de construção de produto extremamente forte para o público que está sendo atendido", explica Alvarenga. A estratégia parece ter funcionado: a base de compradores já ultrapassa 2,8 milhões de pessoas, e a plataforma atende milhares de criadores ativos.
A inteligência artificial é o principal motor de crescimento da Hubla em 2026. A empresa já tem dois produtos de IA em produção. O primeiro é um agente de vendas no WhatsApp, treinado com dados do criador — incluindo produtos, tom de voz e histórico de interações —, que atende leads 24 horas por dia. Segundo Alvarenga, a solução está alcançando uma conversão média de 17% em carrinhos abandonados, com alguns criadores chegando a 35%.
O segundo produto é um agente de engajamento dentro da área de conteúdo, treinado no material do criador, que responde dúvidas de alunos e cria ferramentas de educação e retenção. A ambição, segundo o CEO, é ir além: "A visão é que o criador consiga abrir o dashboard da Hubla e ele já diga o que ele precisa fazer para abrir novas avenidas de crescimento", afirma, mencionando análise preditiva de churn, recomendação de pricing e otimização de conteúdo como próximos passos.
Com o breakeven atingido, a Hubla não depende de uma nova rodada para continuar crescendo, mas também não descarta a possibilidade. "Não estamos fechados para essa possibilidade, caso a gente decida que isso vai ser um acelerador de fato do impacto que conseguimos ter", pondera o CEO.
O mercado global de creator economy pode alcançar US$ 525 bilhões até 2030, segundo a consultoria HeartBit. A Hubla se posiciona como uma plataforma "pro" para criadores que já validaram seus produtos e precisam de infraestrutura para escalar — um nicho que a diferencia de concorrentes como a Hotmart, que atende também criadores em estágio inicial.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/creator-economy/investida-da-kaszek-hubla-bate-breakeven-e-mira-r-2b-em-gmv/



