A Hubble nasceu de uma dor interna. Depois de testar por seis ou sete anos diversos sistemas de recrutamento sem encontrar a solução ideal, o Grupo Hub, consultoria de RH com mais de uma década de mercado, decidiu transformar o problema em produto. O resultado foi uma startup criada por spin-off, com a proposta de usar inteligência artificial como apoio ao recrutador — sem tirar dele a decisão final.
Lançada oficialmente há dois meses, a plataforma recebeu R$ 2 milhões em investimento do próprio grupo. O objetivo era resolver algo simples na definição, mas difícil na execução: organizar candidatos em um pipeline e mostrar ao cliente, de forma visual, o andamento do processo, sem depender de planilhas. "A gente não tinha absolutamente nenhum sistema que atendesse o nosso serviço", resume Victor Fazzio, sócio do grupo desde 2014 e agora CEO da HRTech.
A experiência do Grupo Hub como boutique de recrutamento, atendendo poucos clientes com alta recorrência em setores como tecnologia, finanças, agro e varejo, serviu de base. Na carteira estão nomes como Itaú e iFood. Além de ser o "cliente zero", o próprio grupo validou a ferramenta com a Stellantis, cujo alto volume de vagas testou o sistema na prática. O PagBank também já utiliza a plataforma.
Um dos diferenciais, segundo o CTO Rafael Souza, ex-diretor de tecnologia da XP que entrou no início de 2026, é que o Hubble "não incluiu IA depois". A plataforma roda modelos próprios de machine learning treinados com dados sintéticos, sem depender de um LLM de terceiros. "A IA organiza dados, dá contexto e sugere caminhos com critérios visíveis e ajustáveis, mas a palavra final fica com o recrutador", pontua.
O alvo são pequenas e médias empresas, espaço que, na visão de Victor, players como a Gupy deixaram descoberto ao focar em grandes companhias de bolsa. A oferta é uma plataforma SaaS sem implementação, com planos de R$ 250 (starter) a R$ 800 (premium) e preço sob demanda para grandes contas.
Hoje o Hubble opera apartado da consultoria, com time próprio de dez pessoas, e projeta alta de 45% no faturamento do grupo em 2026 — ano em que a consultoria cresceu 33% e faturou R$ 27 milhões em 2025. A meta é atingir o break-even com 250 clientes até o primeiro semestre de 2028.
Por ora, o financiamento sai do caixa do grupo, mas a empresa já conversa com investidores e quer destravar as primeiras rodadas seed ainda neste ano. "A ideia é que o grupo saia um pouco de cena e a Hubble comece a ser mais investida pelo mercado", finaliza Victor.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/hrtech/para-resolver-uma-dor-interna-o-grupo-hub-criou-uma-hrtech-em-casa/



