A Gravae, startup baiana que combina inteligência artificial, visão computacional e câmeras instaladas em espaços esportivos, prepara-se para mais que dobrar de tamanho em 2027. A empresa projeta faturamento de R$ 20 milhões no próximo ano, diante dos R$ 9,5 milhões estimados para 2026.
O plano também prevê alcançar 2 mil clientes, operar em dez países e elevar para 340 mil o número de usuários ativos por mês. A plataforma deverá processar cerca de 2,5 milhões de vídeos mensalmente, consolidando uma operação que começou nas quadras de futevôlei de Salvador e já chegou à casa de Neymar Jr., em Mangaratiba, no Rio de Janeiro.
A curva financeira ajuda a dimensionar a velocidade da expansão. A Gravae faturou R$ 37 mil em 2022. O valor avançou para R$ 133 mil em 2023, R$ 900 mil em 2024 e R$ 4,5 milhões em 2025. A estimativa de R$ 20 milhões para 2027 representa uma receita mais de 500 vezes superior à registrada no início da operação.
Somente entre 2025 e 2027, o faturamento deverá crescer 344%. No mesmo período, a base de clientes deve passar de 450 para 2 mil, enquanto o número de usuários mensais poderá saltar de 55 mil para 340 mil.
“Em 2022, ainda estávamos validando a tecnologia e entendendo como transformar uma necessidade percebida dentro das quadras em um negócio escalável. Hoje, a demanda está comprovada. Nosso desafio passou a ser estruturar a empresa para acompanhar a velocidade de um mercado que cresce no Brasil e fora dele”, afirma Vitor Varandas, CEO e cofundador da Gravae.
Tecnologia transforma arenas em plataformas de mídia
A empresa instala câmeras conectadas em quadras, clubes, academias e arenas. O sistema registra as partidas, organiza os conteúdos e disponibiliza os melhores momentos diretamente no aplicativo, permitindo que os atletas assistam, baixem e compartilhem seus lances nas redes sociais.
Além dos replays, a plataforma reúne transmissões ao vivo, dados de utilização, ferramentas de gestão e recursos voltados à monetização dos espaços esportivos. A proposta é transformar uma estrutura tradicionalmente física em uma operação também digital, capaz de gerar conteúdo, relacionamento e novas receitas.
O modelo de negócio é baseado em mensalidades pagas pelos estabelecimentos. Para o praticante, o acesso aos vídeos não tem cobrança individual. A dinâmica favorece a circulação orgânica da marca: cada lance compartilhado apresenta a identidade da plataforma e leva a tecnologia para novos atletas, gestores de arenas e mercados.
“Cada vídeo distribuído pelo usuário também funciona como uma demonstração real do produto. O atleta recebe um conteúdo que antes se perderia, a arena melhora a experiência oferecida ao cliente e a Gravae chega a novas redes de relacionamento. Essa combinação foi determinante para a escala da operação”, explica Jorge Augusto Ribeiro, CRO e cofundador da empresa.
A plataforma já ultrapassou 9 milhões de vídeos gerados e deve encerrar 2026 com aproximadamente 965 clientes e 100 mil usuários ativos por mês. Fora do Brasil, atua com a marca ReplayMe e está presente em oito países. Somente no México, a tecnologia já chegou a mais de 120 arenas.
Da provocação entre amigos ao mercado internacional
A origem da Gravae está ligada à experiência pessoal de Vitor Varandas com o futevôlei. Engenheiro eletricista, ele decidiu instalar câmeras em uma quadra para registrar os próprios lances e provar aos amigos que havia evoluído no esporte.
A primeira experiência gerou 170 vídeos em um único dia e revelou uma demanda que não estava sendo atendida: praticantes queriam rever e compartilhar jogadas, mas dependiam de alguém filmando com o celular.
Varandas então uniu o conhecimento técnico adquirido na engenharia e na programação à experiência comercial de Jorge Augusto Ribeiro, com quem havia trabalhado no setor automotivo. As primeiras instalações foram realizadas pelos próprios fundadores, que também desenvolveram e ajustaram o sistema à medida que o produto passava a ser utilizado.
O alcance da tecnologia passou a incluir desde quadras localizadas em comunidades até propriedades frequentadas por atletas profissionais. Entre os clientes está Neymar Jr., que recebeu o sistema após a indicação de uma jogadora de futevôlei. A instalação contribuiu para ampliar a visibilidade da empresa e antecedeu sua primeira rodada de investimento, realizada com valuation de R$ 11 milhões.
Para o próximo ciclo, a estratégia está concentrada na ampliação da estrutura tecnológica e comercial, no desenvolvimento de novos produtos baseados em inteligência artificial e na expansão internacional da ReplayMe.
“A gravação foi a porta de entrada. O negócio que estamos construindo é mais amplo: uma camada de tecnologia capaz de conectar conteúdo, dados, gestão e experiência esportiva. A projeção para 2027 reflete essa evolução”, afirma Varandas.



