A startup fundada por Rafael Paiva durante a pandemia fechou rodada que combina capital financeiro e um conselho consultivo de cinco a seis especialistas, e projeta uma operação de R$ 20 milhões em wellness até o fim de 2027.
A Ginastee concluiu uma rodada pré-seed avaliada em R$ 650 mil com a Koinz Capital. O aporte tem um desenho pouco convencional: além do cheque, a operação inclui o que a gestora chama de capital intelectual — a formação de um conselho consultivo estratégico que passa a acompanhar a startup de perto.
A empresa nasceu no quarto do fundador Rafael Paiva, durante a pandemia, quando ele codificava sozinho as primeiras telas do produto. Depois de algumas pivotagens, a Ginastee se consolidou como uma plataforma voltada a influenciadores e profissionais de fitness e wellness que querem transformar audiência em receita.
O funcionamento se aproxima mais de uma rede social do que de uma plataforma de infoprodutos. Cada criador monta uma área própria, publica conteúdos e vende assinaturas; do outro lado, o seguidor entra em uma comunidade privada e participa de desafios.
Paiva chama o conceito de "social wellness" — a ideia de que a saúde integral depende da qualidade dos vínculos e do senso de pertencimento a um grupo, e não apenas de hábitos individuais de autocuidado.
Modelo sem mensalidade e beta de quase um ano
A Ginastee não cobra mensalidade dos criadores pelo uso do software. A monetização vem de um take rate de cerca de 10% sobre o valor transacionado na plataforma, incluindo assinaturas, desafios em grupo e materiais de apoio.
Durante o período beta, de abril de 2025 a março de 2026, a startup operou de forma orgânica, sem investimento em mídia paga, e chegou a mais de 4.800 usuários. A base conecta cerca de 50 criadores de conteúdo e profissionais de saúde a mais de 4.700 alunos e seguidores.
A plataforma também vem incorporando recursos de inteligência artificial para apoiar a construção de hábitos diários, com funcionalidades como análise de fotos de refeições e recomendações personalizadas.
Um conselho que virou investidor
A rodada foi estruturada pela Koinz Capital, gestora fundada por Leonardo Cruz, que acompanha a Ginastee desde a fase de MVP. O conselho consultivo reúne de cinco a seis profissionais com competências complementares — advocacia tributária, finanças, governança corporativa, compliance e estruturação de processos — em reuniões mensais com o fundador.
A presidência é de Jaime Quintana, executivo com três décadas de consultoria na Falconi. O grupo conta ainda com Caio Scarduelli Salvatore Tebet, com passagens pela Meta e pela fintech Revolut na área de compliance, Indira Duarte, sócia da IN – Consultoria Ativa, e o advogado Luís Márcio Bellotti Alvim, sócio do escritório LNCAM.
Parte dos conselheiros decidiu aportar capital próprio para encorpar o cheque. A divisão exata entre o montante financeiro e a valoração do capital intelectual não foi revelada, mas o fundador afirma que o caixa é suficiente para bancar a nova fase de tração e a contratação de uma agência de marketing de grande porte.
A meta é chegar a uma operação de R$ 20 milhões em wellness até o fim de 2027. A expansão internacional está prevista para 2028, com foco prioritário nos Estados Unidos — e a próxima rodada deve ser captada em moeda estrangeira.
Fonte original: Startups



