Enquanto a maior parte das companhias mede a própria pegada de carbono apenas em fábricas e frotas, a Gedanken decidiu olhar para o ponto cego do setor: as emissões de Escopo 3, geradas ao longo da cadeia de fornecedores. Estima-se que entre 70% e 95% das emissões totais de uma empresa estejam justamente nessa camada invisível, difícil de medir e raramente monitorada.
Foi nesse território que a startup de Ribeirão Preto resolveu se posicionar. Originalmente voltada à gestão de risco de fornecedores, a Gedanken migrou para o rastreamento do impacto ambiental indireto na cadeia de suprimentos, apostando que a sustentabilidade corporativa deixará de ser uma agenda reputacional para se tornar exigência operacional.
A tese atraiu investidores. Com o aporte de R$ 4 milhões liderado por ABSeed e Caravela Capital, a empresa, já listada entre as "100 Startups to Watch", reforça uma carteira de clientes que inclui nomes como Carrefour, MRV e DHL. O movimento ocorre em um momento de aquecimento do debate: o tema foi um dos destaques do 9º Congresso Ambiental CAMBI, realizado no fim de maio em São Paulo.
A pressão sobre as cadeias de valor tende a crescer. Investidores, consumidores e reguladores passaram a cobrar transparência sobre o que acontece fora dos muros das empresas. Na União Europeia, a diretiva CSRD já obriga companhias a reportar dados ambientais de toda a sua operação, incluindo fornecedores, o que respinga diretamente sobre exportadores brasileiros.
Para a Gedanken, esse cenário abre uma janela de oportunidade para startups capazes de transformar dados dispersos em informação acionável. Quem dominar o Escopo 3, segundo a empresa, não apenas reduz riscos regulatórios e de exclusão de fundos ESG, como ganha vantagem competitiva concreta diante de clientes corporativos cada vez mais exigentes.
A aposta da companhia, comandada pelo co-CEO Lucas Madureira, é que a rastreabilidade ambiental se torne um campo tão estratégico quanto a gestão financeira ou a cibersegurança. Com os novos recursos, a Gedanken pretende ampliar sua plataforma e avançar sobre um mercado que, embora ainda pouco explorado, deve concentrar parte relevante da inovação corporativa nos próximos anos.
Fonte original: Startupi — https://startupi.com.br/a-revolucao-invisivel-do-esg-startups-de-olho-nas-emissoes-que-ninguem-ve/



